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Smart Cities25 de ago. de 2026, 12:20

Cidades dos EUA transformam cano de água em usina de energia limpa

Turbinas instaladas dentro de tubulações aproveitam a pressão da água potável para gerar eletricidade em cidades do Oregon, com retorno de investimento em poucos anos. Caberia isso na rede de saneamento brasileira?

Por Camila Furtado · Repórter de Smart Cities

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Um cano de água que também é usina

Se tem um lugar onde ninguém pensaria em procurar geração de energia, é dentro do encanamento de água potável. Mas é exatamente aí que cidades do estado americano do Oregon começaram a instalar turbinas para aproveitar a pressão da água que já corre pelos tubos — sem represa, sem rio desviado, sem novo impacto ambiental visível. A pergunta que eu faço, como sempre: quanto custou, quanto gerou de fato e quem decidiu que valia a pena?

Como funciona e quanto custou em Hillsboro

A pioneira foi Hillsboro, que instalou em 2020 um sistema batizado In-PRV, desenvolvido pela startup InPipe Energy, de Portland. A tecnologia substitui as válvulas que normalmente só dissipam o excesso de pressão da água — e, em vez de desperdiçar essa energia, agora a converte em eletricidade. O projeto custou cerca de US$ 509 mil (algo perto de R$ 2,8 milhões na cotação atual), sendo que 70% saiu de bolsas de energia renovável e o restante do bolso da própria prefeitura. O retorno do investimento foi estimado entre 2 e 3 anos.

O resultado: até 200 mil kWh de eletricidade por ano, o suficiente para abastecer iluminação, pontos de recarga de veículos elétricos e concessões do complexo esportivo Gordon Faber Recreation Complex, além de cortar mais de 162 mil libras (73 toneladas) de carbono anualmente, segundo a Energy Trust of Oregon.

Outras cidades entraram na onda

Depois de Hillsboro, Beaverton fez um retrofit em 2025 que gera cerca de 426 MWh por ano — reduzindo em 27% a carga elétrica de uma estação de tratamento —, e Tualatin concluiu um projeto que produz cerca de 250 MWh anuais, com economia de US$ 14 mil por ano na conta de luz. Bend já planeja um sistema de 1,2 MW. A vida útil estimada dessas turbinas é de 50 a 100 anos — mais longa que muita infraestrutura elétrica convencional.

E no Brasil?

No Brasil, onde perdas de água em redes de distribuição chegam a passar de 40% em algumas cidades, a lógica de aproveitar pressão residual da água tratada soa atraente — mas exige tubulação de grande diâmetro, diferencial de pressão adequado e proximidade de um ponto de conexão à rede elétrica, nem sempre disponível fora dos grandes centros. Fica a pergunta para as concessionárias de saneamento brasileiras, cada vez mais privatizadas após o marco do saneamento: alguém está estudando aproveitar a própria rede de água para gerar energia, ou o excesso de pressão continua sendo simplesmente desperdiçado?

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