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Smart CitiesIA03 de nov. de 2026, 08:52

Cidades que colocam o cidadão primeiro na IA dobram o retorno, diz estudo

Pesquisa da ThoughtLab com 215 cidades mostra que colocar o cidadão no centro dos projetos de inteligência artificial rende o dobro do retorno financeiro e corta o prazo de retorno do investimento.

Por Camila Furtado · Repórter de Smart Cities

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A pesquisa

A ThoughtLab, consultoria americana de pesquisa e análise econômica que acompanha investimentos em tecnologia urbana, ouviu 525 gestores públicos de 215 cidades e analisou 363 planos municipais de inteligência artificial para o estudo "Building a People-First, AI-Powered City". O recorte: cidades que tratam a IA como ferramenta para resolver problema de gente — trânsito, saúde, atendimento — em vez de usá-la como vitrine tecnológica.

Quanto rende e quanto custa esperar

As cidades classificadas como líderes em IA registraram retorno sobre investimento de 96%, contra 42% das demais. O prazo pra recuperar o dinheiro investido também é menor: 39 meses contra 49 meses. Na prática, a prefeitura que planeja bem gasta o mesmo e lucra mais que o dobro — e mais rápido.

Entre os exemplos citados está o Metropolitan Transportation Authority de Nova York, que usa IA preditiva para antecipar falhas em ônibus e cortou 24% dos custos de manutenção da frota. Amsterdã, Barcelona, Dublin, Austin, Montreal, Seattle e San Antonio também aparecem na lista de cidades líderes do levantamento.

O que trava o avanço

A pesquisa também mediu desconfiança: 68% das cidades apontam a falta de confiança pública como um dos maiores obstáculos, puxada por medo de vigilância, viés algorítmico e perda de controle sobre decisões automatizadas. Outros números do levantamento: 84% das cidades relatam custos inesperados nos projetos de IA, 82% enfrentam falta de gente qualificada pra tocar os sistemas e 80% têm dificuldade de provar o retorno pra quem paga a conta — o próprio contribuinte.

A pergunta que falta responder

O estudo compara retorno financeiro, mas não detalha quem audita os contratos nem como cada prefeitura mede impacto social além do ROI. Para o cidadão de cidades brasileiras que também correm pra digitalizar serviços, a lição prática é simples: exigir que qualquer projeto de IA municipal venha com plano de governança e fiscalização pública antes de entrar no ar — não depois.

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