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Smart Cities19 de set. de 2026, 11:02

Cidades testam usar ônibus e bondes para entregar encomendas

Pesquisas na Europa e no Japão mostram trens, bondes e ônibus levando pacotes junto com passageiros — em Estrasburgo, cerca de 100 encomendas viajam por viagem de bonde antes da entrega final de bicicleta.

Por Camila Furtado · Repórter de Smart Cities

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A ideia por trás do "freight-on-transit"

Pesquisadores europeus estão testando um modelo batizado de "freight-on-transit": aproveitar a capacidade ociosa de ônibus, bondes e trens para carregar encomendas junto com os passageiros. O processo tem três etapas — a encomenda sai de um centro de distribuição, viaja dentro do transporte público até uma estação central e é entregue na porta do destinatário por bicicleta de carga ou a pé.

Diego Delle Donne, professor da ESSEC Business School, escola de negócios francesa que também assina pesquisas de logística urbana, lidera estudos que usam modelos matemáticos para decidir quais linhas e estações do transporte público valem a pena para esse tipo de operação. Segundo ele, a ideia parecia "insana" a princípio, mas se mostrou viável em testes reais.

Foto: reprodução/railwaygazette.com

Onde já funciona

Em Estrasburgo, na França, a operadora de bondes CTS e o correio estatal La Poste testaram, em 2024, o transporte de cerca de 100 encomendas por viagem em um bonde de linha regular. Ao chegar à estação central, um carteiro transferia os pacotes para uma bicicleta de carga que fazia a última milha até o centro da cidade.

No Japão, o modelo já roda desde 2019: as empresas Nishi Tokyo Bus e Yamato Transport dividem o espaço de ônibus de linha regular entre passageiros e encomendas na rota entre Akiruno e Hinohara.

O que ainda trava o modelo no resto do mundo

Segundo a pesquisa, a viabilidade do "freight-on-transit" depende menos de tecnologia e mais de decisões regulatórias e contratos comerciais entre operadoras de transporte, empresas de logística e prefeituras — o tipo de negociação que costuma emperrar em cidades grandes. Nenhum dos casos estudados apresenta, até agora, dados públicos de quanto custou implementar o sistema nem de quanto ele reduziu o tráfego de vans de entrega nas ruas.

Por que interessa a cidades como as brasileiras

Capitais brasileiras que sofrem com o crescimento das entregas por aplicativo — e o consequente aumento de vans e motos circulando — poderiam observar os pilotos europeus antes de decidir se vale a pena testar algo parecido. Mas caberia perguntar, desde já, quem pagaria a conta: a prefeitura, os operadores de transporte público ou as próprias empresas de logística.

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