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Ciência26 de out. de 2026, 23:07

Cientistas descobrem pista para prever El Niño com um ano de antecedência

Estudo australiano analisou mais de 7,5 mil previsões climáticas e descobriu que o estado inicial do Pacífico indica quando um modelo de El Niño é confiável um ano antes. A técnica pode dar mais tempo para preparar comunidades contra secas e enchentes.

Por Letícia Prado · Repórter de Ciência

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Pra escala humana

Um ano de antecedência é o tempo de preparar uma safra inteira, redesenhar um sistema de irrigação ou reforçar diques antes da próxima estação chuvosa. Essa é a margem que um novo estudo australiano diz ter conquistado para prever o El Niño, o fenômeno climático que aquece o Pacífico e distorce o clima no planeta inteiro.

A pesquisa, publicada na revista científica Science Advances, foi conduzida por Mandy Freund, da Universidade de Melbourne — uma das principais universidades de pesquisa da Austrália —, e Nandini Ramesh, da CSIRO, a agência nacional de ciência e pesquisa industrial do governo australiano. A dupla analisou mais de 7,5 mil previsões históricas geradas por modelos climáticos de nove países diferentes, numa tentativa de entender por que algumas previsões de longo prazo do El Niño–Oscilação Sul acertam e outras erram feio.

O que foi confirmado

O achado central é claro: o estado do oceano Pacífico no momento em que uma previsão é iniciada funciona como um indicador de confiabilidade. Quando os modelos começam a simulação durante um período de La Niña — a fase fria e oposta do ciclo —, a taxa de acerto sobe bastante. Segundo o estudo, três dos modelos analisados previram corretamente a transição para El Niño com um ano de antecedência em mais de 70% dos casos, desde que a simulação tivesse partido de condições de La Niña. Já as previsões iniciadas em condições neutras do Pacífico se mostraram muito menos confiáveis.

Em nota, Freund resumiu a descoberta: "nosso estudo identifica informação adicional valiosa para prever eventos de El Niño e La Niña com bastante antecedência". Ramesh completou: "podemos identificar quais previsões merecem mais confiança e, potencialmente, alertar o público sobre eventos de El Niño muito mais cedo".

O que ainda é hipótese

O método não cria um novo modelo de previsão — ele ensina a reconhecer, entre as previsões já existentes, quais merecem mais crédito dependendo do ponto de partida do oceano. Os próprios autores tratam o resultado como um primeiro filtro de confiança, não como fórmula definitiva: o comportamento do Pacífico em cenários de aquecimento global mais extremo ainda é incerto, e a aplicação em tempo real do método segue sendo testada pelos centros meteorológicos.

Por que isso importa

O El Niño está associado a secas severas em partes da América do Sul e da Ásia e a chuvas intensas em outras regiões, com impacto direto em agricultura, abastecimento de água e risco de desastres. Um alerta mais robusto um ano antes do pico do fenômeno abriria uma janela maior para que governos e comunidades se preparem antes que secas e enchentes cheguem.

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