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Mercado06 de out. de 2026, 21:30

Cinco dias depois de Khosla chamá-la de 'azarona', Factory recebe aporte da Menlo

Vinod Khosla, da Khosla Ventures, chamou publicamente a Factory de 'competidora de segundo escalão em dificuldades'. Cinco dias depois, a Menlo Ventures entrou com cheque na mesma rodada de US$ 200 milhões a US$ 5 bilhões.

Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado

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5 bilhões de dólares e uma treta pública

US$ 5 bilhões é a avaliação que a Factory, startup americana de IA para automatizar todo o ciclo de desenvolvimento de software, fechou em setembro, numa rodada de US$ 200 milhões puxada por Khosla Ventures — fundo de capital de risco fundado em 2004 pelo cofundador da Sun Microsystems, Vinod Khosla —, além de Blackstone, Sequoia e Insight Partners. Cinco dias depois de Khosla chamar publicamente a própria investida de "competidora de segundo escalão em dificuldades", a Menlo Ventures, gestora de risco fundada em 1976 e uma das mais antigas do Vale do Silício, anunciou que entrou com capital na mesma rodada — e publicou um texto elogioso sobre a aposta.

A origem da treta

Tudo começou em 30 de setembro, quando Matan Grinberg, CEO da Factory, postou nas redes que havia demitido o conselheiro Chris Degnan por suposto vazamento de informações confidenciais para a Cognition, startup rival de codificação com IA — que também é investida da Khosla Ventures. Khosla rebateu publicamente, acusando Grinberg de mentir sobre a demissão e classificando a Factory como "azarona" do setor. A Cognition, pano de fundo da disputa, havia levantado US$ 2 bilhões a uma avaliação de US$ 48 bilhões no mesmo mês — quase dez vezes o valuation da rival.

Quem ganha e quem perde com a treta

A Menlo, liderada pelo sócio Matt Murphy no negócio, recusou revelar o valor exato investido, mas disse que o aporte foi relevante para o fundo — não um gesto simbólico — e que teria investido ainda mais se houvesse espaço no cap table. Para a Factory, que já soma mais de US$ 400 milhões captados e tem Nvidia, Blackstone e Palo Alto Networks como clientes, o apoio público de um fundo histórico funciona como blindagem reputacional bem-timed, justo quando um investidor do próprio conselho questionava sua relevância no mercado.

Já Khosla sai da história com desgaste de imagem: criticar publicamente uma startup do próprio portfólio é incomum entre capitalistas de risco, que normalmente evitam dar munição a avaliações negativas de suas apostas. A Cognition, embora não citada diretamente nessa rodada, se beneficia indiretamente — a disputa reforça a narrativa de que é ela a favorita do fundo nessa guerra de startups de codificação com IA.

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