
Claro proíbe venda de celulares da Oppo em lojas físicas e no site
A operadora suspendeu por tempo indeterminado a comercialização de aparelhos da Oppo, quarta maior fabricante de celulares do mundo, e determinou a retirada de produtos e materiais de divulgação da marca em seus pontos de venda.
Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado
Uma parceria que vira as costas
A Claro proibiu a venda de celulares da Oppo, fabricante chinesa que ocupa a quarta posição no ranking mundial de smartphones, com cerca de 9% a 10% do mercado global somando suas submarcas OnePlus e Realme, em suas lojas físicas e no site da operadora. A decisão foi comunicada internamente e suspende as vendas por tempo indeterminado, segundo reportagem do Tecnoblog.
O caso chama atenção porque a relação entre as duas empresas era, até pouco tempo atrás, de parceria estreita: a Claro havia fechado exclusividade para vender smartphones Oppo no Brasil desde o fim de 2024, levando os aparelhos a mais de 3.000 pontos de venda físicos da operadora pelo país. Agora, o mesmo canal que ajudou a Oppo a ganhar escala no mercado brasileiro se fecha para a marca.
O que muda no balcão
Segundo o comunicado interno obtido pelo Tecnoblog, a Claro determinou uma série de medidas contra os produtos Oppo: os aparelhos devem sair das mesas de exposição e ficar apenas em estoque, fora da vista do consumidor, e os funcionários foram instruídos a remover materiais oficiais de comunicação da marca. Promotores de vendas da Oppo também ficaram impedidos de atuar dentro das lojas da operadora.
Fontes ouvidas pelo Tecnoblog no setor de telecomunicações apontam que a restrição pode estar relacionada a bônus que a Oppo oferecia a promotores por vendas realizadas — um indício de atrito comercial entre as duas empresas, embora o motivo oficial não tenha sido divulgado por nenhuma das partes.
Quem ganha e quem perde
A Oppo perde da noite para o dia um dos maiores canais de distribuição de celulares do país, justamente a rede de uma operadora com presença nacional. Para uma fabricante que vinha de expansão agressiva no Brasil — inclusive com a abertura de loja própria e planos de abrir mais pontos até dezembro —, o corte representa um retrocesso na estratégia de pulverização de vendas.
Já a Claro ganha espaço de prateleira e atenção de vendedores para outras marcas que negocia, num momento em que a disputa por espaço físico em lojas de operadora é decisiva para fabricantes chinesas que tentam crescer no país, como Xiaomi e a própria Oppo. Para o consumidor, o efeito imediato é a redução de opções de compra da marca nos canais mais populares de venda assistida do país.
Nem Claro nem Oppo confirmaram publicamente os motivos da ruptura até o momento.