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Mercado31 de ago. de 2026, 20:57

Clipto vale US$ 250 milhões buscando vídeo com IA como se fosse texto

Startup de três anos levanta US$ 15 milhões, já é lucrativa e fatura US$ 15 milhões em receita recorrente indexando terabytes de vídeo, áudio e documentos para busca em linguagem natural.

Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado

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US$ 250 milhões por resolver o excesso de conteúdo

US$ 250 milhões. Essa é a nova avaliação pós-money da Clipto, startup de busca de vídeo com inteligência artificial, depois de uma rodada de US$ 15 milhões inteiramente em equity. O múltiplo chama atenção porque a empresa não está queimando caixa para justificá-lo: já fatura US$ 15 milhões em receita recorrente anual (ARR) e é lucrativa em termos de lucro líquido — uma combinação rara entre startups de IA que ainda dependem de rodadas bilionárias para sobreviver.

O problema que resolve

Fundada em 2023 e sediada em São Francisco, com equipes em Cingapura e Hong Kong, a Clipto indexa vídeos, áudios, imagens, reuniões e documentos no computador do usuário, permitindo buscar por descrição em linguagem natural — ou pedir para ferramentas como ChatGPT e Claude encontrarem o conteúdo, via suporte recente ao Model Context Protocol (MCP). O processamento roda localmente, sem depender de nuvem. Como resume o fundador Henry Kang: "Nesta era de IA, não temos escassez de conteúdo... O oposto é verdade. Temos conteúdo demais."

Quem está por trás do cheque

A rodada reúne HSG (ex-Sequoia China), GL Ventures, EnvisionX Capital, Palm Drive Capital, Hans Tung, Lu Zhang e 522 Ventures — um time de investidores com raízes fortes na Ásia, coerente com a base de operação da empresa. Kang não é estreante no tema: foi doutorando na Carnegie Mellon em 2006 pesquisando robôs que registravam o ambiente ao redor e identificavam objetos, depois fundou uma startup de gestão de guarda-roupa com IA e a ZenVideo, adquirida pela Tencent em 2020.

Quem ganha e quem fica para trás

Com pouco mais de 20 funcionários e mais de 30 milhões de usuários desde o lançamento — incluindo centenas de milhares de assinantes pagantes com boa retenção, muitos há mais de dois anos —, a Clipto mudou de público sem alarde: criadores de vídeo, alvo inicial do produto, hoje representam só de um quarto a um terço da base. O grosso agora é advogados, médicos, pesquisadores, profissionais de marketing e RH, professores e estudantes.

A aposta da Clipto é ocupar um espaço que gigantes atacam de forma fragmentada: a Adobe oferece busca por IA só dentro do Premiere, a Apple restringe a busca a fotos dentro do próprio ecossistema, e o Google faz o mesmo com o Fotos. Ao prometer busca cruzada entre plataformas e tipos de arquivo, a Clipto tenta transformar um nicho técnico em categoria própria — e, pelos números, já está sendo paga por isso antes mesmo de precisar provar escala.

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