
Código do macOS mostra como vão funcionar as câmeras dos AirPods
Framework escondido no macOS Tahoe 26.7 revela que os futuros AirPods com câmera terão dois sensores sincronizados, modo de captura ativa e passiva e detecção de pessoas no ambiente. Lançamento, porém, só fica para 2027.
Por Bruno Vilela · Repórter de Gadgets
Um framework escondido denuncia o projeto
Um usuário do fórum MacRumors, identificado como "mactracker", encontrou dentro do macOS Tahoe 26.7 (release candidate) um framework batizado de "AccessorySensorManager". O nome é burocrático, mas o conteúdo não é: trata-se do código que vai gerenciar os dados de câmera dos futuros AirPods com sensores de imagem. Ou seja, não é especulação de renderização 3D — é a própria Apple deixando rastro de como pretende fazer o fone "enxergar".
Dois olhos, uma cena só
Foto: reprodução/macrumors.com
A ideia central é simples de entender e ambiciosa de executar: cada AirPod, esquerdo e direito, tem seu próprio sensor de câmera, e os dois capturam imagens RGB sincronizadas, com IDs de quadro (frame) combinando entre si. Na prática, é uma espécie de visão estéreo em miniatura — como se você tivesse dois olhos nos ouvidos entregando a mesma cena sob ângulos ligeiramente diferentes para a Visual Intelligence processar.
O código prevê dois modos de operação. No modo ativo, cada fone captura em 640x640 e devolve ao iPhone uma imagem processada de 1024x1024 — próxima de 1 megapixel, resolução baixa para padrões de câmera de smartphone, mas suficiente para reconhecimento de objetos e texto. Já no modo passivo, a captura despenca para 320x320 ou 512x512 em fluxo contínuo, claramente pensado para rodar em segundo plano sem consumir bateria à toa.
Sabendo se tem gente na sua frente
É esse modo passivo que mais chama atenção. O framework menciona "peripheral inference" — inferência periférica —, que permite ao AirPod detectar no próprio dispositivo se há uma pessoa à sua frente, além de reagir a mudanças de ambiente, como sair de um lugar silencioso para uma rua movimentada. O código também inclui correção de distorção de lente, calibração entre as duas câmeras e calibração entre câmera e sensores de movimento, com rejeição automática de imagens tremidas ou com a visão bloqueada.
Do lado da privacidade, há previsão de uma luz indicadora em cada fone, com controle remoto de brilho, para avisar terceiros quando a captura estiver ativa — resposta direta à crítica que os Ray-Ban Meta já enfrentam por gravar sem aviso claro.
Vale esperar até 2027?
Aqui está o ponto que esfria a expectativa: segundo Mark Gurman, da Bloomberg, o produto não deve chegar em 2026. A previsão é de lançamento em setembro de 2027, ao lado do iPhone de 20 anos, sob os codinomes B790 (uma versão com câmera do AirPods Pro 3) e B798 (nova geração). Gurman já mudou o tom desse cronograma mais de uma vez neste ano, o que mostra que nem dentro da Apple a data está fechada.
Para quem já usa AirPods Pro no Brasil, a pergunta que fica é se vale a pena esperar mais um ano por um fone que, na prática, funciona como extensão de câmera do iPhone — e não como câmera autônoma. Resolução de 1 megapixel e captura contínua de baixa qualidade sugerem um produto pensado para IA ambiental, não para fotos de verdade — então quem espera substituir o smartphone na hora de fotografar pode se frustrar.