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IA02 de set. de 2026, 17:18

Código Humanitas: prompt gratuito da PUCPR deixa sua IA mais crítica e transparente

Protocolo aberto criado pela PUCPR com participação do jurista Ronaldo Lemos pode ser colado em qualquer chatbot para forçar respostas com fontes verificáveis e recomendação de checagem humana.

Por Elias Brandão · Analista de IA e ética

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Um manual de instruções para o chatbot obedecer

Pensa num contrato que você lê antes de assinar um serviço, com regras claras do que a outra parte pode e não pode fazer. É essa a ideia por trás do Código Humanitas, protocolo gratuito lançado pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), universidade privada paranaense com forte atuação em pesquisa e inovação. Batizado com o lema "nunca pare de pensar", o código foi desenvolvido em parceria com Ronaldo Lemos, advogado e pesquisador de tecnologia conhecido por seu trabalho à frente do Instituto de Tecnologia e Sociedade, e com Paulo Aguiar, consultor especializado em IA generativa. Na prática, é um texto de 12 artigos e cinco cláusulas que o usuário cola no início de qualquer conversa com um chatbot — ChatGPT, Claude, Gemini, tanto faz — para mudar o comportamento das respostas dali em diante.

O que o protocolo exige da IA

Entre as regras está a obrigação de indicar fontes verificáveis para as informações apresentadas, em vez de afirmações soltas sem lastro. O código também pede que o modelo apresente diferentes pontos de vista sobre temas controversos, evitando a armadilha de entregar uma resposta única e definitiva para questões que, na vida real, têm mais de um lado. Outro ponto central é a recomendação explícita de validação humana em decisões que envolvam consequências relevantes — saúde, direito, finanças —, um lembrete de que a IA sugere, mas quem assina embaixo é gente. O material está disponível gratuitamente no site do projeto e pode ser baixado, copiado e colado por qualquer pessoa, sem custo.

Prompt resolve o problema da alucinação?

Aqui vale o contraponto. Um protocolo colado no início da conversa é como pedir educadamente para o motor não errar: ele orienta o comportamento, mas não reprograma o sistema por baixo dos panos. Especialistas em IA costumam lembrar que modelos de linguagem podem "esquecer" instruções longas ao longo de uma conversa extensa, e que a tendência a alucinar — inventar fatos com convicção — é uma limitação estrutural, não um bug que se corrige só com boas maneiras no prompt. Por outro lado, iniciativas como essa têm valor pedagógico real: ensinam o usuário comum a exigir mais da ferramenta e a desconfiar de respostas fáceis demais, o que já é um avanço num país onde boa parte do público ainda trata o chatbot como oráculo infalível.

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