
Código malicioso rouba cartão e CPF em lojas de moda que usam a Convertr
Um skimmer de pagamento ficou ativo desde sábado (24/10) em checkouts de dezenas de marcas de moda que usam a Convertr, capturando número do cartão, CVV e CPF dos clientes. A plataforma já removeu o código, mas dados podem ter sido expostos.
Por Denise Sampaio · Repórter de Segurança
O que aconteceu
Um grupo de criminosos conhecido como Magecart, ativo desde julho de 2024, invadiu a infraestrutura da Convertr, plataforma de checkout usada por dezenas de marcas de moda brasileiras, e escondeu um script malicioso dentro de um arquivo do Plausible, ferramenta de análise de tráfego carregada automaticamente nas páginas de pagamento. Segundo a Sansec, empresa holandesa especializada em segurança de e-commerce, o código ficou ativo desde sábado (24/10) e só era disparado em páginas com "checkout.convertr" no endereço.
O script capturava número do cartão, validade, CVV, nome do titular e CPF digitados no checkout e enviava tudo para um domínio controlado pelos invasores. A Sansec suspeita que a porta de entrada foi uma falha de execução de comando não autenticada (CVE-2026-8467) em uma versão desatualizada do Plausible usada pela Convertr, embora isso ainda não tenha sido confirmado oficialmente.
Foto: reprodução/sansec.io
A Convertr removeu o código e atualizou o Plausible para uma versão corrigida na terça-feira (27/10), e afirma estar notificando lojistas, empresas de pagamento e autoridades. A Sansec já confirmou que o rastreador está limpo, mas alerta que o navegador pode manter em cache a versão contaminada por até 24 horas após a correção, o que prolonga o risco para quem não limpar os dados do navegador.
Quem é afetado
Todo cliente que comprou em lojas de moda que usam a Convertr como plataforma de checkout a partir de sábado (24/10) até a correção, na terça (27/10), pode ter tido dados de cartão e CPF capturados. Nenhuma marca específica foi identificada publicamente até o momento, mas o problema atinge o checkout compartilhado, ou seja, qualquer loja conectada à infraestrutura da Convertr estava exposta, independentemente de falha própria.
O que fazer agora
- Revise a fatura do cartão usado em compras de moda online entre 24 e 27 de outubro e procure cobranças que você não reconhece;
- Se comprou em alguma loja de moda nesse período, considere cancelar e trocar o cartão por precaução, mesmo sem cobrança suspeita ainda visível;
- Acione o banco ou a operadora do cartão para solicitar monitoramento extra ou bloqueio preventivo;
- Fique atento a tentativas de golpe que usem seu CPF, como abertura de crediário ou financiamento em seu nome;
- Limpe o cache do navegador antes de fazer novas compras em lojas que usam a Convertr, já que o código malicioso pode ter ficado salvo localmente por até 24 horas após a correção.