
Cofundador do Figma diz que o MCP, protocolo de conexão com IA, não é perfeito
Dylan Field anunciou 20 novos parceiros no padrão MCP, mas criticou a falta de reciprocidade da Anthropic e disse que o protocolo favorece os grandes laboratórios de IA.
Por Marina Sato · Repórter de IA
O número
- Foi quantos novos parceiros o Figma, ferramenta de design colaborativo usada por equipes de produto e UX, anunciou para o MCP (Model Context Protocol) durante o Config, sua primeira conferência na Índia, nesta terça-feira. Entre os nomes: ClickUp, Linear, Notion, Mistral, Amp, Dia e Sarvam Agents.
MCP é o protocolo criado pela Anthropic para conectar modelos de IA a ferramentas e dados externos — pense nele como um "plugue universal" que permite que um assistente de IA acesse arquivos de design, planilhas ou documentos de diferentes aplicativos sem que cada empresa precise construir uma integração sob medida.
Foto: reprodução/whalesbook.com
A crítica
Dylan Field, cofundador do Figma, usou o palco para elogiar a expansão e, ao mesmo tempo, questionar o próprio padrão. "MCP não é um protocolo perfeito. E acho que ele tem muito espaço para melhorar", disse.
O principal apontamento de Field é sobre reciprocidade: segundo ele, a Anthropic, criadora do MCP, não expõe seus próprios recursos — como artefatos e dados na nuvem — pelo protocolo. Para Field, isso cria uma assimetria no compartilhamento de contexto que é pouco discutida no debate sobre abrir ou fechar dados.
Os dois lados
De um lado, Field reconhece que, quanto mais dados uma empresa expõe por um protocolo aberto, maior o risco de uso indevido — mesmo que a maioria dos usuários tenha intenções legítimas. É por isso que o Figma mantém certa seletividade sobre o que libera via MCP, apesar do discurso de abertura.
Do outro lado, fica a cobrança: se o argumento de segurança vale para o Figma, por que não valeria igualmente para a Anthropic? Field sugere que o protocolo, hoje, tende a favorecer os laboratórios de ponta (os chamados "frontier labs", empresas na fronteira do desenvolvimento de IA) em detrimento de quem constrói ferramentas sobre ele.
Apesar das ressalvas, o Figma optou por seguir apoiando múltiplos padrões em vez de escolher um só, mantendo a exposição de dados restrita por razões de segurança. A pergunta que o episódio deixa em aberto é se o MCP vai evoluir para corrigir essa assimetria — ou se vai se consolidar assim mesmo, com grandes laboratórios ditando os termos de um protocolo que se apresenta como aberto.