
Cognition negocia nova rodada e pode valer US$ 40 bi em 3 meses
A criadora do agente de codificação Devin está em conversas iniciais para captar recursos a uma avaliação de pelo menos US$ 40 bilhões, menos de três meses depois de levantar US$ 1 bilhão a US$ 26 bilhões.
Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado
O número que importa
US$ 40 bilhões. É essa a avaliação que a Cognition, startup por trás do agente de codificação Devin, estaria negociando com investidores em uma nova rodada, segundo reportagem da TechCrunch publicada nesta quarta-feira (12/8). O valor representa um salto de mais de 50% em relação aos US$ 26 bilhões atribuídos à empresa há menos de três meses.
Da última rodada até aqui
Em maio de 2026, a Cognition havia captado US$ 1 bilhão a uma avaliação pré-money de US$ 26 bilhões. Agora, as negociações — ainda em estágio inicial, segundo a reportagem — apontam para um cheque igualmente robusto, possivelmente acima de US$ 1 bilhão novamente, mas com a valuation quase duplicando em questão de semanas.
O argumento por trás do salto é a receita. A taxa de receita anualizada (ARR) da empresa, que estava em cerca de US$ 492 milhões havia três meses, teria se aproximado de US$ 1 bilhão — um crescimento impulsionado por uma expansão de uso corporativo de cerca de 50% ao mês nos últimos seis meses. Vale ressaltar que a Cognition pode, ao final, optar por não captar, ou fechar a rodada em termos diferentes dos discutidos.
Quem ganha com isso
A Cognition é apoiada por fundos de peso, como o General Catalyst e o Founders Fund, de Peter Thiel — investidores que veem o valor de suas posições multiplicar rapidamente caso a rodada se confirme. Para os fundadores, liderados por Scott Wu, o movimento reforça a aposta de que Devin, o agente que promete substituir tarefas de engenharia de software, ainda está longe do teto de crescimento aos olhos do mercado.
O que isso diz sobre a bolha da IA aplicada a código
Duplicar uma avaliação bilionária em menos de 90 dias é o tipo de movimento que reacende o debate sobre exagero especulativo no setor de IA generativa. Startups de codificação autônoma — como Cognition, Cursor e outras — têm atraído capital em ritmo raramente visto, apostando que agentes capazes de escrever e revisar código sozinhos vão redefinir a engenharia de software. Resta saber se o crescimento de receita sustenta a régua de valuation ou se o mercado está simplesmente perseguindo a próxima grande promessa da IA antes que a concorrência feche o cerco.