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Ciência13 de ago. de 2026, 16:55

Colete que blindou astronauta virtual foi à Lua e voltou — e funcionou

Testado sem tripulação na Artemis I, o colete AstroRad reduziu em até 60% a radiação simulada em eventos solares extremos, segundo estudo publicado na Science Advances.

Por Letícia Prado · Repórter de Ciência

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Pra escala humana

Pra escala humana: um colete de 26 quilos, do tamanho de um colete à prova de balas reforçado, viajou até a Lua e voltou dentro da cápsula Orion sem ninguém para vesti-lo — só um torso sintético fazia as vezes de astronauta. O experimento, batizado AstroRad, acaba de render um resultado que a equipe por trás dele não esperava: segundo o estudo, publicado em 12 de agosto na revista Science Advances, o colete teria reduzido em até 60% a dose de radiação recebida por um astronauta durante uma tempestade solar severa.

O que foi confirmado

Durante a missão Artemis I, em 2022, a NASA levou dois manequins de torso — apelidados Zohar e Helga — presos aos assentos da Orion na viagem não tripulada de 25 dias até a Lua e de volta. Zohar vestia o AstroRad, feito de polietileno de alta densidade e desenvolvido pela StemRad em parceria com a Lockheed Martin, pesando 26 quilos e projetado para proteger órgãos mais sensíveis à radiação, como medula óssea, pulmões, trato gastrointestinal, mamas e ovários. Helga não usava proteção alguma. Ambos tinham sensores de radiação embutidos em vários pontos do corpo.

A missão em si não enfrentou nenhuma tempestade solar durante o voo. O que os pesquisadores fizeram foi comparar os dados reais de radiação captados pelos sensores dos dois manequins e, a partir disso, simular como o colete teria se comportado durante dois eventos de partículas solares historicamente extremos — os de agosto de 1972 e outubro de 1989.

O que é hipótese — a simulação

Aqui a linha entre dado medido e projeção fica clara: os 60% de redução não vieram de uma tempestade solar real durante o voo, mas do cruzamento dos dados de blindagem obtidos em órbita com os perfis de radiação desses dois eventos passados. No cenário de 1972, o colete teria reduzido a exposição de 222 millisieverts para 87,5 millisieverts. No evento de 1989, mais energético, a redução estimada foi de cerca de 40%.

Jordan Houri, cientista-chefe de exploração espacial da StemRad e autor principal do estudo, disse que o resultado surpreendeu a própria equipe: "esperávamos algo próximo de 45%, então quando vimos o resultado pela primeira vez, achamos que precisávamos voltar atrás e procurar um erro. Em vez disso, a análise detalhada mostrou que a abordagem do AstroRad de blindagem direcionada aos órgãos e tecidos mais sensíveis à radiação foi ainda mais eficaz do que havíamos projetado." Ele classificou o experimento como "o maior já conduzido para determinar a exposição de astronautas à radiação além da órbita baixa da Terra".

Por que importa

O limite de dose de carreira estabelecido pela NASA é de 600 millisieverts — bem acima da exposição média anual de radiação natural na Terra, de cerca de 3 millisieverts. Para missões tripuladas mais longas, como Artemis II e futuras viagens a Marte, blindar o corpo do astronauta, em vez da espaçonave inteira, é a aposta que a StemRad e a NASA agora têm dados concretos para defender.

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