
Colossal cria IA para acelerar projetos de ressuscitar espécies extintas
Plataforma batizada GenoMorph já identificou 2.300 alvos genéticos no projeto do dodô; empresa de “de-extinção” também virou alvo de novo fundo de Peter Diamandis.
Por Marina Sato · Repórter de IA
O número
2.300 alvos de edição genética. É o que a nova plataforma de inteligência artificial da Colossal Biosciences, empresa americana de “de-extinção” de espécies, já identificou no projeto que tenta recriar o dodô — ave extinta há mais de 300 anos. A empresa, conhecida por tentar trazer de volta o mamute-lanoso e por ter anunciado em 2025 três filhotes de lobo-das-trevas geneticamente modificados, levou mais de um ano para construir a ferramenta, batizada GenoMorph.
O problema que a IA resolve
Foto: reprodução/pulse2.com
Projetos de de-extinção dependem de comparar o DNA da espécie extinta com o de parentes vivos para descobrir quais genes controlam características físicas específicas. O obstáculo é a falta de dados: existe apenas um genoma completo de dodô disponível, contra uma centena de genomas de mamute. A GenoMorph tenta contornar essa escassez combinando genômica comparativa, modelagem 3D de crânios e biologia do desenvolvimento, treinada com dados de mais de 70 espécies de aves, incluindo galinhas, codornas, patos e pombos — parentes vivos usados como referência para o próprio dodô.
Quem está por trás do dinheiro
A Colossal Biosciences foi fundada em 2021 pelo empresário Ben Lamm e pelo geneticista de Harvard George Church, e capta recursos pesados: levantou US$ 200 milhões em janeiro de 2026, elevando seu valor de mercado a US$ 10,2 bilhões — e, segundo informações mais recentes, negocia uma nova rodada que pode avaliar a empresa em US$ 20 bilhões.
Um dos primeiros investidores da companhia, o empresário Peter Diamandis, fundador da competição de inovação XPRIZE, lançou nesta semana um fundo de capital de risco próprio, a NeoGenesis Capital, para investir na própria Colossal e em startups construídas em cima da tecnologia da empresa. O foco declarado é a chamada “biologia programável”, aplicada a longevidade, fertilidade, agricultura e prevenção de pandemias.
O que falta responder
Nem a Colossal nem a NeoGenesis divulgaram o tamanho do novo fundo de Diamandis, nem quantas startups ele pretende financiar. E, apesar do avanço técnico anunciado, a GenoMorph por ora só identificou alvos genéticos — não produziu, até o momento, nenhum animal vivo a partir dessas descobertas. A distância entre mapear genes promissores e ter um dodô vivo e saudável ainda é o maior teste da tecnologia.