
Com fundo perdendo 67%, Situational Awareness aposta US$ 400 mi em chips
O hedge fund de IA de Leopold Aschenbrenner, que viu seus ativos despencarem de US$ 45 bilhões para US$ 10 bilhões, injeta mais US$ 400 milhões na Source Foundry, elevando sua aposta na startup de litografia para US$ 500 milhões.
Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado
US$ 400 milhões que destoam do momento do fundo
US$ 400 milhões. É o novo cheque que a Situational Awareness, hedge fund fundado por Leopold Aschenbrenner, ex-pesquisador da OpenAI, acaba de assinar para a Source Foundry, startup de fabricação de chips ainda em modo stealth. Com o aporte, o fundo eleva para US$ 500 milhões o total investido na companhia — já que havia colocado uma posição inicial de US$ 100 milhões antes desta rodada.
O detalhe que chama atenção não é só o tamanho do cheque, mas o momento em que ele sai. A Situational Awareness vem de uma sequência de perdas pesadas: segundo informações que circularam no mercado, o fundo amargou uma queda de cerca de 67% em posições ligadas a infraestrutura de IA, o que derrubou seus ativos sob gestão de um pico de aproximadamente US$ 45 bilhões para algo próximo de US$ 10 bilhões. Para estancar a sangria, Aschenbrenner liquidou praticamente toda a carteira de ações públicas do fundo no fim de julho, vendendo posições para a Citadel, de Ken Griffin, e mantendo como exceção relevante apenas a fatia em Anthropic.
Quem ganha: a Source Foundry
A aposta redobrada mostra que, apesar do tombo, o fundo não recua da tese central de Aschenbrenner: o gargalo da IA não está só nos modelos, está na capacidade de fabricar os chips que os treinam. A Source Foundry, fundada por pesquisadores de Stanford, mira justamente esse ponto — desenvolver processos de manufatura de semicondutores mais rápidos e baratos que os atuais, em um setor hoje dominado por poucos players de litografia de ponta. A startup já havia atraído capital de outros investidores relevantes do ecossistema de venture capital antes deste novo aporte.
Quem perde: a credibilidade do timing
O contraste é o que rende a notícia: um gestor que precisou vender a carteira pública às pressas para sobreviver está, na mesma janela, dobrando a aposta em um ativo privado, ilíquido e de estágio inicial. É uma leitura de convicção — Aschenbrenner segue acreditando que a demanda por poder computacional de IA vai superar a oferta de chips por anos. Mas também é um sinal de risco concentrado: se a tese de infraestrutura de IA que já custou caro ao fundo em ações públicas errar de novo no lado privado, a margem para um segundo tropeço é bem menor com metade do patrimônio que o fundo tinha há poucos meses.
Para o mercado de chips de IA, o episódio reforça que capital de risco e capital especulativo estão cada vez mais misturados na corrida por capacidade de fabricação — mesmo quando quem investe está, ele mesmo, em terreno instável.