
Com US$ 1,75 milhão, Veritas amplia chip antifalsificação a joias e perfumes
A startup americana Veritas levou seu chip de autenticação de produtos de luxo para joias, troféus e frascos de perfume, após captar US$ 1,75 milhão em rodada liderada pelo fundo de Alexis Ohanian.
Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado
US$ 1,75 milhão. Foi esse o cheque pré-seed que a Veritas, startup americana que fabrica chips para autenticar produtos de luxo, levantou em fevereiro para financiar a nova geração de sua tecnologia — e agora a empresa mostra o que fez com o dinheiro: um chip capaz de embarcar em joias, troféus e até frascos de perfume, ampliando o alcance de um mercado que nasceu mirando bolsas e tênis.
O problema das "superfakes"
A falsificação de produtos de luxo deixou de ser um problema de bolsa de rua para se tornar uma indústria sofisticada, as chamadas "superfakes", réplicas quase indistinguíveis dos originais que sangram receita e reputação das grifes. A resposta da Veritas é um chip que gera uma resposta segura a cada toque e inclui um fio de detecção de violação — uma camada de segurança física que, segundo a empresa, supera as fragilidades de QR codes e links NFC comuns, que podem ser duplicados.
A nova versão do componente, batizada de V2, resolve uma limitação técnica que travava a expansão do negócio: agora funciona em superfícies metálicas e consegue ser lido através do vidro, abrindo caminho para joias, troféus, produtos de superfície dura e embalagens de perfume.
Quem valida a tecnologia
A fundadora da Veritas, Luci Holland, ex-gerente de produto técnico na Tesla e com formação em design e arte, converteu a tese em parcerias concretas. A ATHLOS, competição de atletismo feminino criada com apoio do cofundador do Reddit Alexis Ohanian, embarcou o chip nos 18 troféus de sua última edição de campeonato. A Nike também testou o componente em um tênis reimaginado pelo artista Adam Port, assinado por LeBron James.
Quem ganha e quem fica de fora
Na rodada de US$ 1,75 milhão, quem apostou primeiro foi a Seven Seven Six, fundo de Ohanian, ao lado de nomes como Stanley Tang, cofundador do DoorDash, Gloria Zhu, fundadora da Reys, e Josh Constine, ex-editor da TechCrunch — uma lista que mistura capital e influência direta no ecossistema de consumo.
Para as marcas de luxo, a aposta é reduzir a sangria causada pelas superfakes sem recorrer a QR codes falsificáveis. Para fabricantes de etiquetas NFC tradicionais, a chegada de um concorrente com camada física de segurança é má notícia: a Veritas vende justamente a promessa de que seu selo não pode ser clonado, o ponto fraco que vinha sendo explorado pelos falsificadores mais sofisticados do mercado.