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Mercado19 de ago. de 2026, 13:00

Com VPPs em alta, aluguel de bateria doméstica cai a US$ 19/mês nos EUA

Tesla e a startup Base Power, que levantou US$ 2 bilhões em menos de um ano, disputam um mercado que trocou a venda de baterias por leasing e virou usina virtual — o segmento de VPP deve saltar de US$ 7,4 bilhões para US$ 30 bilhões até 2033.

Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado

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O número que importa: US$ 19 por mês

É o que a startup texana Base Power cobra para alugar uma bateria doméstica de 39,2 kWh. A Tesla, para sua Powerwall de 27 kWh, cobra US$ 35 por mês. Para efeito de comparação: instalar uma bateria residencial nos EUA custava, até pouco tempo atrás, mais de US$ 10 mil à vista. O leasing quebrou essa barreira de entrada — e é o motivo pelo qual baterias domésticas, de repente, estão em toda parte.

O que muda o jogo: a bateria virou usina

O gatilho por trás da queda de preço não é só engenharia mais barata, é modelo de negócio. Tesla, Base Power e outras empresas passaram a agregar milhares de baterias residenciais em Virtual Power Plants (VPPs) — redes coordenadas que despacham energia armazenada para a rede elétrica nos horários de pico, lucrando com arbitragem de preço. Isso permite subsidiar o aluguel do equipamento: o cliente paga pouco (ou nada) porque a bateria também trabalha para a concessionária.

O resultado prático já apareceu em contrato: a Base Power fechou um acordo com a cooperativa CoServ, no norte do Texas, para montar uma VPP de 100 megawatts em menos de 12 meses — prazo impensável para uma usina térmica tradicional, que leva de dois a quatro anos para sair do papel.

Quem ganha: startups bem financiadas e quem tem telhado solar

A Base Power levantou US$ 2 bilhões em menos de um ano, aposta que o mercado validou com capital pesado. A Tesla, apesar da concorrência, segue como incumbente de peso: já são 6,7 gigawatts de Powerwalls instalados nos EUA. A Base Power, por sua vez, instala o equivalente a 8 megawatt-horas por dia e mira dobrar esse ritmo até o fim do ano.

Quem também ganha é a concessionária: em vez de construir usina de pico cara e lenta, ela aluga capacidade de baterias já na casa do consumidor. "Nossa meta é que seja uma solução ganha-ganha", resume Tim Pianta, head de parcerias com concessionárias da Base Power.

O tamanho da aposta

O mercado de VPPs nos EUA vale hoje US$ 7,4 bilhões, segundo a Grandview Research, e a projeção é chegar a US$ 30 bilhões até 2033 — crescimento de quatro vezes em menos de uma década. É a métrica que explica por que Tesla e Base Power estão dispostas a subsidiar hardware para ganhar participação em um mercado que, na prática, está apenas começando a decolar.

Quem perde, por ora, é o modelo tradicional de geração de pico: usinas térmicas que levam anos para ficar prontas competem cada vez mais com uma rede de baterias residenciais que escala em meses.

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