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Mercado23 de out. de 2026, 09:32

Comcast perde 144 mil clientes de banda larga e chama rival de irracional

A operadora americana de cabo e banda larga viu a perda de assinantes crescer frente ao ano anterior, culpou preços agressivos de concorrentes e prepara corte de vagas com carga de US$ 1 bilhão no caixa.

Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado

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144 mil clientes a menos é o número que conta a história

A Comcast, operadora americana de TV por cabo e banda larga que também controla a NBCUniversal, perdeu 144 mil assinantes residenciais de internet no terceiro trimestre de 2026. É uma piora relevante: no mesmo período do ano passado, a perda havia sido de 91 mil clientes. O resultado, ainda assim, veio um pouco melhor do que os 136 mil de queda projetados por analistas — o que não impediu a empresa de atribuir boa parte do problema à concorrência.

"Irracional" é a palavra que a Comcast usou para o rival

A companhia classificou como "irracionais" os preços praticados por operadoras de fibra concorrentes, em um discurso que o mercado interpretou como mirando principalmente a AT&T e provedores de fibra menores, que têm usado descontos agressivos para roubar assinantes. A ironia é que a própria AT&T vem subindo preços nas últimas semanas — o que não impediu a perda de competitividade da Comcast no curto prazo, forçando-a a oferecer descontos pesados só para reter base.

Quem paga a conta da reestruturação

A resposta da Comcast combina corte de custo com aposta em automação. A empresa avança em um plano de reestruturação que vai gerar uma carga única de US$ 1 bilhão no quarto trimestre, e a Bloomberg noticiou que cortes de vagas "significativos" devem ser anunciados nas próximas semanas. Em paralelo, a companhia amplia o uso de agentes de inteligência artificial no atendimento ao cliente, com parcerias já firmadas com as empresas de IA conversacional Cresta e Sierra.

O recado é direto: uma base de clientes menor vai ser atendida por menos gente e mais máquina. Quem perde no curto prazo são os funcionários na linha de corte e, potencialmente, a qualidade do atendimento percebida pelo consumidor durante a transição. Quem ganha, pelo menos no discurso da empresa, é o acionista — a aposta é que a economia de longo prazo supere, e muito, o impacto de US$ 1 bilhão do trimestre que vem.

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