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Gadgets04 de set. de 2026, 16:57

Como a Fairphone construiu o Gen 6+, celular reparável e ético

Fairphone, fabricante holandesa de smartphones focada em reparabilidade e ética na cadeia de produção, detalha os bastidores de fabricação do Gen 6+, aparelho que promete oito anos de suporte e conserto caseiro.

Por Bruno Vilela · Repórter de Gadgets

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A Fairphone, fabricante holandesa de smartphones focada em reparabilidade e ética na cadeia de produção, lançou o Gen 6+ prometendo entregar algo raro na indústria: um celular que qualquer pessoa consegue desmontar e consertar em casa, sem abrir mão de materiais rastreados e de origem mais justa. Chandler Hatton, CTO da empresa, resumiu o desafio nos bastidores do projeto: "Estamos fazendo algo que por muito tempo foi considerado quase impossível".

O que muda na experiência de uso

Diferente da geração anterior, o Fairphone Gen 6+ é construído para desmontagem completa em cerca de 20 minutos usando apenas uma chave de fenda, permitindo trocar 12 componentes diferentes — bateria, módulos de câmera, porta USB-C, tela e alto-falante entre eles. O resultado é uma nota máxima, 10 de 10, na avaliação de reparabilidade do iFixit, site referência internacional em desmontagem e conserto de eletrônicos. A empresa garante disponibilidade de peças de reposição até 2033 e oferece oito anos de suporte de software, prazo muito acima da média de dois a quatro anos praticada por fabricantes tradicionais.

No quesito ético, mais da metade do peso do aparelho — cerca de 51% — vem de materiais reciclados ou obtidos por critérios de comércio mais justo, incluindo ouro, cobalto, tungstênio, alumínio e estanho, minerais historicamente associados a cadeias de mineração problemáticas em outros fabricantes do setor. A meta declarada da empresa é que cada unidade vendida permaneça em uso por pelo menos cinco anos — métrica que a Fairphone monitora internamente como indicador de desempenho.

Vale o preço no Brasil?

O Gen 6+ chega à Europa por €649 e aos Estados Unidos por US$ 649 (cerca de R$ 3.870 na cotação direta), sem confirmação de venda oficial no Brasil até o momento. É um preço de intermediário premium para specs que não brigam com os grandes flagships em performance bruta — a proposta da Fairphone nunca foi vencer benchmark, e sim garantir vida útil longa e conserto acessível, o oposto do ciclo de troca anual que domina o mercado.

Para o consumidor brasileiro, a conta só fecha se a marca formalizar importação ou parceria de venda local, já que sem isso o custo de trazer o aparelho de fora, somado a impostos, tende a neutralizar boa parte da vantagem de preço-benefício que o Gen 6+ representa nos mercados onde já está disponível.

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