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Smart Cities15 de out. de 2026, 10:21

Como Chicago, Nova York e Seattle bancam seus projetos de transporte

Dirigentes financeiros das três cidades dividiram em conferência da APTA as saídas encontradas para déficits orçamentários e pressão inflacionária.

Por Camila Furtado · Repórter de Smart Cities

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O desafio comum

Na conferência anual da American Public Transportation Association (APTA), entidade que reúne operadores de transporte público nos Estados Unidos, realizada em Chicago, dirigentes financeiros de três das maiores redes de transporte do país — Thomas McKone, da Chicago Transit Authority (CTA); Jai Patel, da Metropolitan Transportation Authority (MTA) de Nova York; e Victoria Baecher Wassmer, do Sound Transit de Seattle — compararam como cada cidade está lidando com rombos orçamentários, pressão inflacionária e disputas legais.

Chicago: fusão de agências pra cortar custos

Chicago projeta um déficit de US$ 770 milhões em 2026, que pode subir para US$ 1,2 bilhão em 2027. A saída encontrada foi estadual: um financiamento aprovado de US$ 1,5 bilhão para as agências de transporte, somado à criação da Northern Illinois Transit Authority (NITA), que passa a coordenar serviço, tarifas e planejamento entre CTA, Metra e Pace — as três operadoras que hoje somam mais de 1,3 milhão de viagens por dia em seis condados.

Nova York: quem usa o carro ajuda a pagar o metrô

A MTA aposta no "congestion pricing", pedágio urbano previsto em lei estadual desde 2019 e implementado para cobrar de quem entra de carro nas áreas mais movimentadas de Manhattan. Além da receita extra, a cidade já registra aumento no número de passageiros no primeiro ano da medida, e queda em reclamações de ruído, acidentes e mortes no trânsito.

Seattle: aposta em infraestrutura que vira atração

O Sound Transit inaugurou em março a primeira ponte ferroviária flutuante do mundo, parte da expansão do light rail da cidade — hoje com mais de 160 mil passageiros por dia e um recorde de 312 mil embarques num único dia, durante um jogo da Copa do Mundo FIFA em julho. A expansão foi bancada por duas votações populares, em 2008 e 2016, que aprovaram o plano até 2052 — um horizonte de financiamento bem mais longo que o de Chicago ou Nova York.

A pergunta que fica pro leitor brasileiro

As três soluções têm algo em comum: dependem de decisão política de longo prazo — seja criando uma nova agência, cobrando de quem usa carro ou aprovando orçamento em votação popular. Para cidades brasileiras que também vivem de déficit crônico em transporte público, o caso mostra que não existe solução única, mas que esperar o problema se resolver sozinho não é uma delas.

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