
Como o provedor de internet vigia o que você faz em casa (e como evitar)
Mesmo sem ver o conteúdo de sites com HTTPS, o provedor consegue mapear hábitos pelo IP, pelas consultas DNS e pelos horários de uso. Veja o que isso significa e como reduzir esse rastreamento.
Por Denise Sampaio · Repórter de Segurança
O que aconteceu
Mesmo quando um site usa HTTPS (protocolo que criptografa o conteúdo trafegado entre o navegador e o servidor), o provedor de internet (ISP, a empresa que fornece a conexão, como Vivo, Claro ou Oi) continua enxergando uma quantidade relevante de informação sobre o que o usuário faz em casa. Segundo o Canaltech, mesmo sem acesso ao conteúdo das páginas, o ISP registra o endereço IP de origem e destino, a data e hora de início e término de cada conexão, a duração do acesso e os domínios consultados — isso porque, em configurações padrão, as consultas DNS (o sistema que traduz nomes de site, como "banco.com.br", em endereços numéricos) não são criptografadas e passam pelos servidores do próprio provedor.
Na prática, isso permite reconstruir um padrão de comportamento bastante detalhado: quais serviços são acessados, em que horários, com que frequência e por quanto tempo, ainda que o conteúdo específico (senhas, mensagens de WhatsApp, dados bancários) permaneça protegido pela criptografia do HTTPS. Também vale lembrar que o modo de navegação anônima do navegador não impede esse tipo de visibilidade, já que ele só evita o registro local no próprio dispositivo — o provedor continua vendo o tráfego normalmente.
Quem é afetado
Todo usuário residencial de internet fixa ou móvel está sujeito a esse tipo de coleta de metadados, independentemente do provedor contratado. No Brasil, o próprio Marco Civil da Internet obriga provedores a manter registros de conexão por um período determinado, o que é tratado como uma exigência legal compatível com a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) — mas isso não impede que esses dados também sejam usados para outras finalidades, como perfis de comportamento para publicidade, caso o provedor opte por esse uso.
O que fazer agora
- Use DNS criptografado: ative DoH (DNS over HTTPS) ou DoT (DNS over TLS) nas configurações do navegador ou do sistema operacional, para impedir que o provedor veja quais domínios estão sendo consultados.
- Considere uma VPN: a rede privada virtual cria um túnel criptografado que esconde do provedor os sites acessados, mas transfere essa confiança para a empresa que opera a VPN — escolha um serviço com política clara de não retenção de logs.
- Confirme que está usando HTTPS: verifique o cadeado na barra de endereço e evite sites sem essa camada de criptografia sempre que possível.
- Não confie só no modo anônimo: ele oculta o histórico local, mas não esconde nada do provedor.
- Fique atento a vazamentos de DNS: se a VPN não rotear corretamente as consultas DNS pelo próprio túnel, o provedor ainda pode ver quais sites estão sendo acessados mesmo com a VPN ativa.