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IA26 de out. de 2026, 23:08

Como são feitos os vídeos de IA que trocam pessoas por famosos

Memes com celebridades 'costuradas' em vídeos virais tomaram as redes sociais. Entenda a técnica de troca de movimento que torna esses clipes tão convincentes — e por que especialistas pedem atenção aos riscos.

Por Elias Brandão · Analista de IA e ética

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A mágica por trás do meme

Se você notou vídeos de jogadores de futebol, políticos ou grupos de hip-hop com o rosto trocado por outra pessoa — mantendo movimento, iluminação e até o cenário intactos —, não é edição de cinema. É uma técnica batizada de motion swap, ou 'troca de movimento': a IA primeiro identifica o personagem principal da cena e, em seguida, substitui seus movimentos pelos de outra pessoa, podendo também trocar roupas ou fundo, segundo reportagem do Canaltech. É como se um dublê digital vestisse a roupa de cena de um ator e repetisse exatamente a coreografia dele, só que o 'dublê' nasceu dentro do computador.

Como o processo acontece, passo a passo

Foto: reprodução/dataprivacybr.org

Na prática, o usuário envia uma única foto da pessoa que quer inserir no vídeo. A ferramenta usa essa imagem para gerar diversas versões estáticas do mesmo rosto em ângulos diferentes e, a partir delas, monta um modelo em formato 3D que se encaixa no vídeo original. Muitos aplicativos já oferecem templates prontos — por exemplo, o clipe da comemoração do jogador Enzo Fernández na Copa do Mundo ou a apresentação do grupo Migos — bastando o usuário carregar sua foto para 'entrar' na cena. Plataformas como Ausar.ai, Creathoon e a brasileira Real Oficial combinam, por trás dos panos, modelos de geração de vídeo de empresas como Seedance, Kling e OpenAI. Como o processamento é pesado, nenhum desses serviços é de graça: funcionam por créditos, dentro de planos pagos.

O lado divertido e o lado que exige atenção

Aqui entram as duas faces da moeda, que gosto de comparar a uma faca de cozinha: ótima para fazer o jantar, perigosa se usada sem cuidado. Do lado criativo, a técnica democratizou brincadeiras que antes exigiam equipe de efeitos visuais — hoje qualquer um se vê 'jogando' ao lado do ídolo ou dançando com a banda favorita, inclusive em memes com políticos durante período eleitoral. Do lado do risco, a mesma tecnologia que cria humor pode fabricar falas e cenas que nunca existiram. Levantamentos recentes mostram forte alta nos casos de desinformação sintética identificados no Brasil, boa parte deles em vídeo e sem qualquer aviso de que o conteúdo foi gerado por IA — o que motivou, inclusive, regras específicas contra deepfakes nas eleições de 2026. A lição prática: duvide de vídeos 'perfeitos demais' sem contexto, e lembre-se que sua própria foto, uma vez na internet, pode se tornar matéria-prima para esse tipo de montagem.

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