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Ciência26 de ago. de 2026, 23:14

Computação quântica já influencia seu celular sem você perceber

Criptografia, logística e produção de remédios já sentem o efeito de computadores quânticos, mesmo que a tecnologia ainda não esteja pronta para uso cotidiano. Entenda o que é realidade e o que é promessa.

Por Letícia Prado · Repórter de Ciência

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Pra escala humana

Pra escala humana: pense num cadeado digital que protege sua conversa no celular, a rota do caminhão que traz sua encomenda e a fórmula de um remédio em teste num laboratório. Nenhuma dessas coisas parece ter relação com física quântica — mas, segundo reportagem do Olhar Digital, todas já são tocadas, hoje, por computadores quânticos ou pela ameaça que eles representam no futuro.

O que já é confirmado: criptografia

Foto: reprodução/cloudsecurityalliance.org

Aqui a fronteira entre hipótese e fato é clara. Computadores quânticos totalmente capazes de quebrar a criptografia atual ainda não existem. Mas o risco chamado "colha agora, decifre depois" — a ideia de que dados criptografados hoje podem ser armazenados e decifrados no futuro, quando a tecnologia amadurecer — já motivou ações concretas. O Signal adotou proteção pós-quântica em 2023. A Apple anunciou um novo protocolo no iMessage em 2024. O Google Chrome já usa troca de chaves híbrida resistente a computadores quânticos. E o NIST, órgão de padrões dos EUA, publicou os primeiros padrões oficiais de criptografia pós-quântica em 2024.

Logística: teste real, mas sem vitória ainda

Na logística, o exemplo mais citado é o da Volkswagen, que testou otimização quântica de rotas para ônibus urbanos em 2019. Portos, transportadoras e companhias aéreas seguem fazendo experimentos parecidos. Mas é importante separar o que é confirmado do que é expectativa: hoje, computadores clássicos ainda entregam resultados iguais ou melhores na maioria dos casos. A promessa quântica nessa área segue sendo isso — uma promessa em teste.

Remédios: simulação molecular como aposta

Na indústria farmacêutica, a lógica é outra: moléculas são objetos quânticos por natureza, então simulá-las com um computador quântico faz sentido teórico. Empresas farmacêuticas e químicas já mantêm parcerias com fabricantes de hardware quântico para acelerar a descoberta de fármacos e o desenvolvimento de materiais para baterias — mas, de novo, sem resultado prático definitivo anunciado.

Onde a hipótese ainda domina

Gigantes como IBM, Amazon e Microsoft oferecem acesso gratuito a processadores quânticos na nuvem, inclusive para estudantes. No Brasil, o SENAI CIMATEC, em Salvador, instalou um computador quântico da IBM. Mas o próprio setor reconhece a incerteza: as estimativas para uma computação quântica "praticamente útil" variam de 5 a 20 anos. Ou seja, o efeito sobre seu celular hoje é indireto — mais sobre como seus dados são protegidos do que sobre um chip quântico dentro do aparelho.

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