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Smart Cities02 de set. de 2026, 17:13

Condado americano ficou rico com data centers, mas vizinhos reclamam

Loudoun County, na Virgínia, virou a capital mundial dos data centers e cortou impostos com a receita — agora enfrenta ruído, fumaça e revolta de moradores.

Por Camila Furtado · Repórter de Smart Cities

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A pergunta do cidadão: quanto isso rendeu?

Em Loudoun County, no subúrbio de Washington D.C., a resposta é concreta: a receita fiscal ligada a data centers saltou de US$ 150 milhões em 2015 para US$ 1,1 bilhão em 2025 — hoje entre 38% e 45% de todo o orçamento do condado. Foi essa receita que permitiu à região manter um dos impostos prediais mais baixos dos Estados Unidos, US$ 0,805 por US$ 100 de valor avaliado. A estratégia começou em 2008, tocada por Buddy Rizer, diretor de desenvolvimento econômico do condado desde 2007 e apelidado de "padrinho dos data centers" por transformar a fibra óptica herdada de um antigo ponto de troca de internet em ímã para empresas de tecnologia.

O resultado: mais de 250 data centers

Hoje a região concentra mais de 250 data centers e, segundo estimativas, cerca de 70% do tráfego global de internet passa por ali. Mas o mesmo homem que criou a estratégia hoje admite arrependimento: "Se tivéssemos que fazer tudo de novo, faríamos um pouco diferente — claramente há casos em que a terra ficou perto demais de áreas residenciais", disse Rizer, que promete resistir à instalação de um novo data center da Amazon num campus universitário comprado recentemente.

Quem fiscaliza o barulho?

Moradores relatam zumbido constante 24 horas por dia e fumaça de geradores a diesel — uma pessoa relata irritação na garganta e nos pulmões, e ser acordada à noite pelo ruído. A Dominion Energy, concessionária que atende a região, já alertou que o uso desses geradores reserva deve aumentar por causa da demanda crescente na rede elétrica; uma moradora foi avisada de que uma torre de transmissão de 56 metros pode ser erguida no quintal dela. "Isso foi longe demais. Ficamos viciados na receita dos data centers, mas a que custo?", resumiu Juli Briskman, supervisora do condado.

O condado agora avalia pausar novas aprovações para criar regras mais rígidas de ruído, altura de prédio e localização — um freio de mão puxado tarde demais para quem já mora ao lado de um galpão de servidores.

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