
Consoles em queda livre: julho de 2026 é o pior mês desde 2020
Levantamento da Circana mostra unidades vendidas despencando 39% e gasto total com hardware no menor patamar desde 2020, com o Switch 2 sofrendo a maior queda entre os três consoles.
Por Théo Ramos · Repórter de Games
O tombo que a gente já sentia no bolso
Se você adiou a compra daquele console porque o preço simplesmente não fechava na conta, saiba que não foi só impressão sua. Segundo levantamento da consultoria Circana, julho de 2026 foi o pior mês para gastos com hardware de videogame desde 2020. Mat Piscatella, diretor sênior e consultor da indústria de games na empresa, foi direto: "os gastos com hardware caíram para uma mínima em julho não vista desde 2020".
Os números assustam. As unidades vendidas despencaram 39% na comparação com julho de 2025, e o gasto com jogos também recuou 9% no mesmo período. Ou seja, não é só o hardware que está sofrendo — o consumidor está segurando a mão no bolso de ponta a ponta.
Quem mais sangrou foi o Switch 2
Na comparação console a console, o Nintendo Switch 2 foi o mais castigado, com queda de 51% nas vendas frente a julho de 2025. O Xbox Series vem logo atrás, com recuo de 18%, enquanto o PlayStation 5 teve a queda mais suave, de 6%. Ainda assim, vale um contexto: mesmo com esse tombo, o Switch 2 segue 11% à frente do desempenho do Switch original no mesmo período do ano passado, e foi o console mais vendido em unidades nos EUA em julho — o PS5 liderou em receita.
Por que isso está acontecendo
A explicação apontada pela Circana não é mistério: a crise global de chips de memória, turbinada pela demanda de data centers de Inteligência Artificial, está encarecendo a produção de hardware em toda a cadeia. O resultado prático chegou direto no preço de prateleira. PS5 e Xbox Series já tiveram dois aumentos de preço cada um nos últimos 12 meses, e agora é a vez do Switch 2: a Nintendo confirmou reajuste a partir de 1º de setembro.
O que isso significa pra quem joga
Pra quem acompanha o mercado gamer, o recado é claro: os fabricantes estão repassando o custo da crise de memória para o consumidor final, e o bolso do jogador é quem está segurando essa conta. Com aumentos sucessivos e sem sinal de acomodação no curto prazo — analistas do setor já apontam que a pressão nos preços de memória deve continuar pelo menos até 2027 —, a expectativa é que 2026 feche como um dos anos mais difíceis para quem quer trocar de geração ou simplesmente comprar seu primeiro console. Vale ficar de olho em promoções e datas de lançamento antes de qualquer reajuste anunciado.