tech & talk
Smart Cities27 de out. de 2026, 22:40

Conversor grátis de TV 3.0: 910 mil famílias do Bolsa Família podem ganhar

O Gaispi, grupo da Anatel que fiscaliza compromissos do leilão 5G, aprovou nesta terça (27/10) proposta de R$ 1,28 bilhão para distribuir conversores de TV 3.0 a famílias de baixa renda em SP, RJ e DF. Falta aval final do Conselho Diretor da Anatel.

Por Camila Furtado · Repórter de Smart Cities

Compartilhar

Um conversor de graça, mas pago por quem?

Se você mora em São Paulo, Rio de Janeiro ou no Distrito Federal e recebe o Bolsa Família, pode ganhar de graça um conversor para acessar a TV 3.0, o novo padrão de televisão aberta digital do Brasil. Nesta terça-feira (27/10), o Gaispi — grupo da Anatel que fiscaliza o cumprimento dos compromissos assumidos no leilão do 5G — aprovou uma proposta para equipar cerca de 910 mil famílias de baixa renda com o aparelho necessário para captar o sinal.

A ideia parte de um problema concreto: sem o conversor certo, quem tem televisor antigo simplesmente fica de fora da nova tecnologia. E são justamente as famílias de menor renda que correm esse risco, já que trocar de aparelho ou comprar um conversor do próprio bolso nem sempre é prioridade no orçamento doméstico.

Foto: reprodução/telesintese.com.br

Quem paga a conta?

A proposta, apresentada pela EAF (Entidade Administradora da Faixa de 3,5 GHz), prevê um orçamento base de R$ 1,28 bilhão — o equivalente a R$ 1.407,36 por família contemplada. O dinheiro viria de saldos remanescentes do leilão 5G, não de novos recursos públicos. Esse valor cobre não só a compra dos conversores, mas também logística, distribuição, publicidade, central de atendimento, consultoria, tecnologia e equipe.

Aqui cabe a pergunta que todo cidadão deveria fazer antes de aplaudir qualquer anúncio de programa social: quanto custou de fato esse programa até o fim, e quem vai fiscalizar se cada real foi bem empregado? A resposta, por ora, é que o Conselho Diretor da Anatel ainda precisa dar aval final — o Gaispi aprovou apenas a proposta técnica, sem poder de execução por conta própria.

Quem tem direito e quando chega

Segundo o levantamento usado na proposta, com base no CadÚnico, o Rio de Janeiro lidera em registros elegíveis, com 830.636 famílias, seguido por São Paulo, com 427.996, e o Distrito Federal, com 114.897. Ainda assim, será a capital paulista a receber o projeto-piloto antes da expansão para as demais localidades.

O cronograma prevê até 24 meses para a conclusão, com distribuição em etapas — o que, na prática, permite revisar custos e corrigir rota ao longo do caminho, mas também significa que quem espera o conversor pode aguardar bastante tempo até ele chegar à porta de casa.

Caro para quem, afinal?

Vale lembrar que o valor por família (R$ 1.407) é bem superior ao preço de um conversor simples no varejo, o que sugere custos operacionais pesados embutidos no programa. Comparado a outras iniciativas de inclusão digital municipal, esse tipo de gasto por beneficiário costuma gerar debate sobre eficiência. Antes de comemorar o conversor grátis, o cidadão paulistano, carioca ou brasiliense tem o direito de perguntar: esse dinheiro do leilão 5G não deveria render mais entrega por real investido? E quem, de fato, vai auditar a execução linha a linha nos próximos dois anos?

tv 3.0inclusão digitalanatelbolsa famíliagovtech
Compartilhar