
Coolpad lança celular Android de tela larga por US$ 150 na China
A Coolpad apresentou o Cool X Wide, smartphone com tela 16:10 inspirada no iPhone Duo e no Huawei Pura X View, mas sem o mecanismo de dobra — tudo isso por cerca de US$ 150.
Por Bruno Vilela · Repórter de Gadgets
Um celular "largo" que não dobra
A Coolpad, fabricante chinesa de celulares voltados para o mercado de entrada, acaba de lançar na China o Cool X Wide, um Android que aposta em uma proporção de tela bem diferente do padrão: 16:10, lembrando mais um cartão de visita do que o retângulo alongado a que estamos acostumados. A graça é que esse formato chegou ao mainstream recentemente por causa dos foldables — mas o Cool X Wide não dobra. É um bloco só, fixo, e isso é parte da proposta: entregar a sensação de tela ampla sem o custo (nem a fragilidade) de uma dobradiça.
O pulo do gato está no preço: a versão de entrada, com 8GB de RAM e 128GB de armazenamento, sai por 999 yuans, algo como US$ 150. Há ainda versões com 8GB+256GB (por volta de US$ 180) e 12GB+256GB (cerca de US$ 209). As vendas começam em 8 de novembro, via JD.com, e por ora o aparelho é exclusivo do mercado chinês.
Ficha técnica sem luxo, mas coerente com o preço
A tela de 6,38 polegadas tem resolução HD (720 x 1158) e taxa de atualização de 90Hz — nada de painel AMOLED ou resolução Full HD, decisão que ajuda a manter o preço baixo. Debaixo do capô, o processador é o MediaTek Helio G99, acompanhado de RAM LPDDR4X e armazenamento UFS 2.2, com slot para microSD e dual SIM. A câmera traseira principal é de 50MP, com sensor macro adicional, e a bateria tem 4.600mAh. De fábrica, já vem com Android 16.
Como ele se compara aos outros "telões" do mercado
Pra quem acompanha a corrida das telas largas, o Cool X Wide entra num território que até agora só tinha concorrentes de peso: o Huawei Pura X View, lançado na China em agosto, com tela ainda mais estreita em proporção (16:9,5) e bateria bem maior, de 7.000mAh — só que vendido a um preço que a própria Coolpad usa como contraponto, chamando o seu aparelho de fração do custo do rival. Do outro lado estão os foldables de livro, como o Samsung Galaxy Z Fold, que entregam tela dupla ao preço de mecanismos caros e mais frágeis, e o rumorado iPhone Duo, citado como referência estética para esse novo formato alongado. A diferença é que nenhum desses dois dobra feito o Fold nem chega perto da casa dos US$ 150.
Faria sentido no Brasil?
A Coolpad não tem presença relevante no varejo brasileiro, e um aparelho de especificações modestas — tela HD, chip de entrada, sem 5G confirmado nas fontes — dificilmente justificaria importação oficial. Mas o conceito é tentador: ter a sensação de "tela grande" de um Fold sem pagar o preço de um foldable é exatamente o tipo de proposta que funciona bem na faixa de entrada brasileira, historicamente sensível a preço. Se a Coolpad decidisse trazer uma versão assim por aqui, a conta brasileira (impostos, logística, margem de distribuidor) provavelmente levaria o aparelho para a faixa de R$ 800 a R$ 1.200 — ainda competitivo, mas longe da curiosidade de US$ 150 que ele é na China.