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Smart Cities20 de set. de 2026, 18:01

Copiloto de IA quer identificar famílias em pobreza energética na Itália

Projeto SUN4U 2.0, liderado pela rede de cidades ICLEI Europe com apoio do Google.org, usa IA generativa para ajudar municípios a encontrar domicílios vulneráveis e conectá-los a comunidades de energia renovável.

Por Camila Furtado · Repórter de Smart Cities

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Um algoritmo para achar quem mais precisa de ajuda com a conta de luz

Identificar quem está em pobreza energética é o primeiro obstáculo para qualquer política pública funcionar. É essa lacuna que o projeto SUN4U 2.0 tenta resolver na Itália: um copiloto de inteligência artificial pensado para ajudar prefeituras e agências de energia a mapear famílias vulneráveis e direcioná-las a soluções de energia renovável comunitária.

O desenvolvimento é liderado pela ICLEI Europe, braço regional da ICLEI, rede internacional de governos locais voltada à sustentabilidade urbana sediada na Alemanha, em parceria com a Federesco, associação italiana de empresas de serviços energéticos que atua como líder técnica do projeto. Também participam a ANCI Lazio, associação de municípios da região do Lácio, a EnviPark e a ANEA, agência de energia local italiana.

De canal de informação a ferramenta de ação automatizada

O SUN4U já existe e hoje reúne mais de 900 pessoas e 120 grupos de comunidades de energia renovável na Itália, funcionando como canal de informação entre moradores interessados em energia limpa compartilhada. A versão 2.0 promete acrescentar IA generativa e agêntica a essa base, permitindo ação mais automatizada — sempre, segundo os responsáveis, com supervisão humana nas decisões que afetam as famílias diretamente.

Patrick Maurelli, responsável por projetos internacionais da Federesco, resume a aposta: passar de "fornecer informação e networking" para "permitir ação automatizada em escala". Já Ruud Schuthof, vice-diretor regional da ICLEI Europe, faz a ressalva que qualquer gestor público deveria repetir: "a pobreza energética não pode ser resolvida apenas com uma solução técnica — exige capacidade institucional, confiança da comunidade e as ferramentas certas trabalhando juntas".

Quem paga a conta e quem vai fiscalizar

O projeto está entre os 15 selecionados globalmente pelo Google.org Impact Challenge: AI for Government Innovation, fundo filantrópico de US$ 30 milhões que a empresa distribui entre organizações e instituições acadêmicas para ferramentas de IA no setor público. Os aportes individuais variam entre US$ 1 milhão e US$ 3 milhões — mas as fontes não confirmam qual fatia coube ao ICLEI Europe, nem prazos ou metas mensuráveis de redução da pobreza energética.

Fica a pergunta que qualquer contribuinte deveria fazer antes de comemorar mais um piloto de IA no setor público: quem vai auditar se as famílias identificadas pelo algoritmo realmente receberam ajuda? Por ora, o piloto segue restrito à Itália, mas a lógica é o tipo de solução que cidades brasileiras, com seus próprios cadastros de tarifa social cheios de furos, deveriam acompanhar de perto.

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