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Ciência31 de ago. de 2026, 20:57

Copo de papel libera milhões de partículas de plástico com água quente

Estudo da Universidade de Queensland mediu a liberação de nanoplásticos em copos revestidos com PE e PLA expostos à água quente, e a versão biodegradável saiu pior no total de massa liberada.

Por Letícia Prado · Repórter de Ciência

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Pra escala humana

Uma nanopartícula de plástico tem espessura equivalente a um milésimo de um fio de cabelo humano. Em um único mililitro de água quente despejada num copo de papel, pesquisadores da Universidade de Queensland (UQ), na Austrália, contaram até 4,3 milhões dessas partículas se desprendendo do revestimento interno do copo.

O que foi confirmado

O estudo, publicado na revista ACS Food Science & Technology, testou dois tipos de revestimento usados em copos descartáveis: o polietileno (PE), plástico convencional derivado de petróleo, e o ácido polilático (PLA), alternativa biodegradável vendida como opção mais sustentável. Os pesquisadores expuseram os dois materiais à água quente — na mesma temperatura de um café ou chá recém-coado — e mediram a quantidade de partículas liberadas.

O resultado inverteu a expectativa: os copos com PLA liberaram cerca de 4,3 milhões de nanopartículas por mililitro, contra 2,7 milhões dos copos com PE. Em massa total, o PLA soltou até 12 vezes mais material plástico que o PE. Segundo a equipe, o calor da água deforma fisicamente a camada de PLA, sem causar uma quebra química visível — ou seja, o material se desfaz em pedaços microscópicos mais rápido que o plástico tradicional.

Foto: reprodução/ndmais.com.br

O que ainda é hipótese

O estudo mediu a liberação das partículas, mas não determinou qual é o efeito real dessas nanopartículas no corpo humano em longo prazo — essa é a pergunta que a própria equipe da UQ diz que precisa de mais pesquisa para responder. Também não há, até aqui, um número de "quantas xícaras" seriam necessárias para representar um risco à saúde.

Por que isso importa

Copos biodegradáveis costumam ser vendidos como a escolha ambientalmente correta na hora do café para viagem. O estudo não diz que o PLA é pior para o planeta — ele se decompõe mais fácil em aterros — mas mostra que, no contato direto com líquido quente, a versão "verde" não é automaticamente a mais segura pra quem bebe. Fica a cargo de fabricantes e agências regulatórias decidir se esse tipo de revestimento precisa de novos limites de uso.

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