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Smart CitiesIA31 de ago. de 2026, 20:57

Coreia do Sul quer dar IA grátis a toda a população; e o resto do mundo?

Programa 'AI for All' promete chatbots ilimitados integrados a serviços públicos como saúde e impostos, com testes a partir de setembro.

Por Camila Furtado · Repórter de Smart Cities

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Imagine abrir um aplicativo do governo para marcar uma consulta médica, entender uma cobrança de imposto ou procurar apartamento — e ter um assistente de IA gratuito guiando cada passo, sem limite de uso. É essa a promessa do programa "AI for All", que a Coreia do Sul começa a testar em setembro.

O que muda para o cidadão

A proposta é integrar chatbots de IA generativa a serviços que os sul-coreanos já usam no dia a dia. Além de consultas médicas e busca por moradia, o programa promete ajudar famílias com sugestões de conteúdo educacional para crianças e apoiar pequenas empresas a calcular tributos e verificar se podem entrar em programas de apoio do governo. Cada um dos três consórcios responsáveis vai lançar seu próprio aplicativo, mas as ferramentas também devem aparecer dentro de plataformas que a população já utiliza.

Quem paga a conta

Aqui é onde a comparação com outras cidades e países ajuda a dar dimensão: enquanto muitos governos ainda discutem diretrizes de uso de IA na máquina pública, a Coreia do Sul reservou cerca de 10 trilhões de won — algo em torno de R$ 37 bilhões — em gastos ligados a IA para 2026, três vezes o valor do ano anterior. Parte desse dinheiro vai para infraestrutura: cada consórcio poderá receber até 512 chips Nvidia B200, hardware de ponta para rodar modelos de IA em larga escala.

Os consórcios selecionados incluem as duas maiores operadoras de telecomunicações do país e a empresa por trás do Kakao, superapp que já faz parte da rotina digital sul-coreana.

Quem fiscaliza, e por quê agora

O objetivo declarado do governo é claro: reduzir a dependência de ferramentas de IA feitas nos Estados Unidos e na China, e colocar o país entre as três maiores potências mundiais em inteligência artificial. É uma meta geopolítica tanto quanto uma promessa de serviço público.

Fica em aberto, porém, o que mais importa para quem vai usar o serviço no dia a dia: quais dados pessoais esses chatbots vão acessar ao lidar com saúde e finanças, que órgão vai auditar as respostas dadas por IA em temas sensíveis como orientação médica, e o que acontece se um dos três consórcios entregar um produto pior que os outros — já que o dinheiro público está sendo dividido entre empresas privadas de telecomunicações e tecnologia. Também não está claro ainda se o modelo será testado antes em alguma cidade ou região específica antes do lançamento nacional previsto para este ano.

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