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SegurançaIA06 de set. de 2026, 12:41

Coreia do Sul tem esquadrão de 23 mulheres contra deepfakes sexuais

Centro do governo sul-coreano já removeu mais de 1 milhão de conteúdos sexuais ilícitos desde 2018, usando IA para rastrear republicações.

Por Denise Sampaio · Repórter de Segurança

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O que aconteceu

Um centro do governo sul-coreano dedicado a combater crimes sexuais digitais reúne uma equipe de 23 mulheres, com sede em Seul e outras 17 filiais regionais espalhadas pelo país. Criado em 2018 e vinculado ao Ministério da Igualdade de Gênero e Família da Coreia do Sul, o National Center for Digital Sexual Crime Response já atendeu mais de 53 mil pessoas e removeu mais de 1 milhão de conteúdos sexuais ilícitos desde a fundação, segundo o próprio centro. Um levantamento da agência AFP feito com o grupo neste ano aponta mais de 10,6 mil atendimentos e 318 mil remoções só nos últimos doze meses — sinal de que a demanda segue em alta. A equipe usa uma ferramenta própria de inteligência artificial para monitorar a internet e localizar republicações do mesmo material, incluindo casos de exploração infantil, antes de cobrar a remoção de redes sociais e sites pornográficos sob ameaça de ação judicial.

Quem é afetado

Mais da metade das vítimas de deepfakes pornográficos identificadas no mundo são sul-coreanas, segundo dados da empresa de segurança digital Security Hero. Entre 2019 e 2023, a circulação global desse tipo de conteúdo cresceu 550%, e 98% dele consiste em pornografia de mulheres gerada por IA. No país, crimes sexuais digitais já respondem por 40% de todos os crimes sexuais registrados, atingindo desde celebridades do K-pop até colegas de escola e trabalho — como ficou evidente em 2024, quando salas de chat no Telegram foram flagradas compartilhando imagens sexualizadas geradas por IA de mulheres conhecidas pelos autores.

O que fazer agora

Na Coreia do Sul, a legislação prevê:

  • até 3 anos de prisão para quem possui deepfake pornográfico;
  • até 7 anos para quem cria o conteúdo;
  • penas mais duras desde 2024, quando o país endureceu a lei após a onda de casos no Telegram.

Vítimas podem procurar o centro para pedir remoção de conteúdo e apoio jurídico e psicológico. No Brasil, casos semelhantes de deepfake sexual sem consentimento também são crime, mas o país ainda não tem uma estrutura pública dedicada e centralizada como a sul-coreana — o que mantém a resposta a esse tipo de ataque dependente, principalmente, das próprias plataformas e da Justiça comum.

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