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Ciência11 de ago. de 2026, 00:12Atualizada em 11 de ago. de 2026, 09:44

Coroa solar do eclipse de 12 de agosto terá formato que não volta a se repetir

Eclipse total revelará uma coroa em fase de transição do Sol, moldada por dois anos de mudanças magnéticas desde o pico do Ciclo Solar 25 — configuração que, segundo especialistas, nunca mais será vista exatamente igual.

Por Letícia Prado · Repórter de Ciência

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Pra escala humana: uma fotografia que não pode ser repetida

Pra escala humana: imagine tentar fotografar uma nuvem duas vezes e conseguir o mesmo formato exato. É basicamente impossível — e é assim que os astrônomos descrevem a coroa solar, a camada externa e mais quente do Sol, visível a olho nu apenas durante um eclipse total. No dia 12 de agosto, ela vai aparecer no céu numa configuração que, garantem os especialistas, nunca mais vai se repetir da mesma forma.

O que está confirmado sobre o momento do Sol

Foto: reprodução/space.com

O Ciclo Solar 25 — o período de cerca de 11 anos em que a atividade magnética do Sol sobe e desce — atingiu seu pico em outubro de 2024, segundo dados confirmados por NASA e NOAA. O eclipse de agosto ocorre quase dois anos depois desse máximo, já na fase de declínio do ciclo.

É esse timing que torna a coroa esperada diferente das últimas observadas. Segundo Ryan French, físico solar do Laboratory for Atmospheric and Space Physics (LASP), em Boulder, Colorado, "não estamos mais no máximo solar — estamos a um terço do caminho passado o pico, tanto em amplitude quanto em anos". Ainda de acordo com French, a coroa do dia 12 "será ainda muito mais ativa do que durante os eclipses totais de 2017, 2019 e 2020, mas muito menos do que a de 2024".

Por que a configuração é irrepetível

A coroa solar é moldada pelo campo magnético do Sol, que varia constantemente — de ano para ano, de mês para mês e até de dia para dia. Isso significa que o retrato que aparecerá durante a totalidade do eclipse vai refletir anos de mudanças na atividade magnética, milhares de manchas solares e incontáveis erupções de material solar acumuladas desde o pico do ciclo. Assim que a totalidade terminar, essa configuração exata nunca mais vai se repetir — não porque o fenômeno seja raro, mas porque o estado magnético do Sol que a produziu já não existirá mais.

O que é hipótese e o que vai acontecer de fato

A totalidade, com duração máxima de 2 minutos e 18 segundos, será visível em faixas da Groenlândia, Islândia, Espanha e Ilhas Baleares. Instrumentos como o COSMO K-Coronagraph, o LASCO C3 (da missão SOHO, da NASA) e o GOES CCOR-1 vão registrar a coroa, e o grupo Predictive Science deve divulgar simulações da sua forma cerca de uma semana antes do evento — uma previsão, não uma certeza, já que a coroa pode mudar até o dia do eclipse. Já a possibilidade de uma ejeção de massa coronal durante a observação é tratada pelos cientistas como algo raro, não como algo esperado.


Atualização (11/08, 09:44): Atualização (11/08/2026): Além do eclipse solar total do dia 12, agosto reserva um segundo evento astronômico: um eclipse lunar parcial na noite de 27 para 28 de agosto. Diferentemente do eclipse solar — cuja faixa de totalidade cobre apenas Groenlândia, Islândia, norte da Rússia, Espanha e uma pequena parte de Portugal, sem visibilidade alguma no Brasil —, é o eclipse lunar que poderá ser observado em todo o território brasileiro.

No horário de Brasília, a fase parcial do eclipse da Lua começa por volta das 23h33 do dia 27, com o ponto máximo previsto para a 1h13 da madrugada do dia 28. Nesse momento, aproximadamente 93% do disco lunar estará dentro da umbra, a parte mais escura da sombra da Terra.

A observação poderá ser feita a olho nu, sem necessidade de telescópios ou filtros especiais — basta um local com céu limpo e horizonte desobstruído. Ou seja: quem quiser acompanhar algum eclipse a partir do Brasil neste mês deve reservar a data do eclipse lunar, já que o solar do dia 12 só será visível ao vivo por transmissões online, como a do Observatório Nacional.

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