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Smart Cities16 de out. de 2026, 08:58

Correios abrem descarte gratuito de eletrônicos em 6.868 agências do país

Com o Balcão do Cidadão presente em todos os municípios, a estatal passa a recolher celulares, notebooks e cabos usados sem custo, em parceria com a Circular Brain. Mas quem fiscaliza o destino final desses equipamentos?

Por Camila Furtado · Repórter de Smart Cities

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Aquele celular na gaveta agora tem destino

Se você tem um notebook quebrado, um celular velho ou um amontoado de cabos sem uso guardado em casa, os Correios acabam de dar uma resposta prática para esse problema recorrente nas cidades brasileiras. Desde 14 de outubro, Dia Internacional do Lixo Eletrônico, a estatal recebe gratuitamente esses equipamentos em 6.868 agências que operam o serviço Balcão do Cidadão, presente em 100% dos municípios do país.

Como funciona na prática

O processo não exige agendamento. Basta levar o equipamento acondicionado em uma caixa aberta até a agência participante, informar nome, CPF, endereço, e-mail e telefone, e o atendente fecha a embalagem na hora da postagem. O limite é de 30 kg por envio. Entram na lista celulares, notebooks, tablets, fones de ouvido, cabos e outros eletroeletrônicos de pequeno porte — mas pilhas, baterias avulsas e lâmpadas ficam de fora e precisam de pontos de coleta específicos.

Quem leva o equipamento daqui pra frente

Aqui está o ponto que interessa a quem mora fora do eixo Rio-São Paulo: a operação depende de uma parceria com a Circular Brain, empresa que administra a Rede Circulare e que já mantém 17 mil pontos de coleta em mais de 5.500 municípios brasileiros. É essa rede que recebe os aparelhos despachados pelos Correios e os direciona a recicladores homologados. Em 2025, a Rede Circulare processou 83 mil toneladas de resíduos eletrônicos — volume que dá a régua do tamanho da operação por trás da caixa que o cidadão deixa no balcão.

O que ainda falta explicar

Para quem acompanha política urbana e serviços públicos, a pergunta inevitável é: quanto custou estruturar essa capilaridade e quem garante que o descarte declarado "correto" realmente aconteça? O serviço é gratuito para o consumidor, mas os comunicados oficiais não detalham valores de investimento da parceria entre Correios e Circular Brain. Já a fiscalização tem base legal: a logística reversa de eletroeletrônicos é regulamentada pela Lei 12.305/2010, a Política Nacional de Resíduos Sólidos, e pelo Decreto 10.240/2020. Na prática, porém, o cidadão recebe apenas um comprovante de envio — o acompanhamento de que o equipamento chegou mesmo a um reciclador homologado fica a cargo da própria rede parceira.

Ainda assim, para o morador de um município sem ecoponto ou cooperativa de reciclagem especializada, ter uma agência dos Correios como porta de entrada da logística reversa já resolve o problema mais imediato: o que fazer com o eletrônico parado. O próximo capítulo é saber se esse alcance nacional vai se traduzir em transparência sobre volumes coletados por cidade e sobre o real custo do programa.

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