
Corrida da IA também está enriquecendo fabricantes de tinta
PPG espera triplicar as vendas de tinta para data centers em 2026, enquanto a divisão de revestimentos protetores da Sherwin-Williams cresce em dois dígitos, puxada pela construção acelerada de infraestrutura de IA por Microsoft, Google e Amazon.
Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado
Vendas devem triplicar em 2026
A fabricante de tintas PPG, companhia americana de revestimentos industriais fundada em 1883, espera triplicar neste ano suas vendas de tinta destinadas a data centers. O número ilustra como a corrida bilionária de Microsoft, Google e Amazon para ampliar a capacidade de computação de IA também está irrigando setores que, à primeira vista, nada têm a ver com tecnologia.
Revestimento que resiste a incêndio
O produto-estrela da PPG para esse mercado é o Steelguard 951, um revestimento que, ao ser exposto a calor extremo, expande e forma uma barreira isolante capaz de proteger estruturas de aço por até quatro horas em caso de incêndio — tempo crucial em instalações que concentram milhares de servidores e cabos de alta tensão. A empresa já fornece revestimentos para mais de 75 tipos de componentes usados nesses empreendimentos, e mais da metade das oportunidades de negócio identificadas está nos Estados Unidos, onde já existem cerca de 5.500 data centers.
A conta por edifício não é pequena: o custo de pintura e revestimento de proteção pode variar entre US$ 3 milhões e US$ 8 milhões por prédio, segundo a reportagem original — um gasto que, multiplicado pelos data centers em construção pelo país, explica o salto nas receitas das fabricantes de tinta.
Sherwin-Williams também surfa a onda
A rival Sherwin-Williams, uma das maiores fabricantes de tintas do mundo, registrou crescimento em dois dígitos na divisão de revestimentos protetores e marítimos em relação ao ano anterior, puxado também pela demanda de data centers. A companhia se posiciona como fornecedora única — um "balcão completo" — para esse tipo de obra, da fundação à cobertura final.
Quem ganha com o boom por tabela
O caso de PPG e Sherwin-Williams mostra que os efeitos econômicos da corrida por IA extrapolam fabricantes de chips e provedores de nuvem. Fornecedores de cimento, aço, geradores e, agora, tinta industrial estão entre os beneficiados indiretos de um ciclo de investimento que já supera centenas de bilhões de dólares globalmente. Para essas indústrias tradicionais, a inteligência artificial virou, na prática, um novo e generoso cliente.