
Córtex: sistema federal que rastreia placas em 2 segundos passa por reformulação
Plataforma do Ministério da Justiça integra 35,9 mil câmeras e mais de 160 bases de dados, mas auditoria apontou vazamentos e consultas irregulares; governo prepara nova versão.
Por Redação tech & talk · Curadoria assistida por IA, revisão humana
O que é o Córtex
O Córtex, plataforma de vigilância do Ministério da Justiça e Segurança Pública, é o maior sistema de rastreamento veicular do país. Segundo o portal ND Mais, ele opera com cerca de 35,9 mil câmeras instaladas em rodovias, pontes, túneis, ruas e avenidas de todo o Brasil, capazes de ler placas automaticamente e cruzar os dados com o CPF do proprietário em até dois segundos.
A plataforma integra mais de 160 bases de dados públicas e sigilosas — incluindo sistemas como Denatran, Sinesp, Depen, perfis genéticos e plataformas da Polícia Rodoviária Federal —, o que permite montar, em segundos, um retrato detalhado de pessoas, veículos e empresas. Reportagens destacam que parte dessas consultas ocorre sem autorização judicial prévia, um dos pontos centrais do debate sobre privacidade em torno do sistema.
Bloqueio em massa de usuários
Em 2025, cerca de 60 mil contas de acesso ao Córtex foram bloqueadas — a maioria inativa havia mais de 90 dias —, restando aproximadamente 38 mil usuários autorizados, segundo o ND Mais. A limpeza de contas veio na esteira de questionamentos sobre quem podia consultar o sistema e com que finalidade.
Auditoria aponta vazamentos e consultas automatizadas
De acordo com reportagem de maio de 2026, uma auditoria interna identificou vazamentos massivos de dados envolvendo contas vinculadas a forças de segurança, além de indícios de contas automatizadas realizando milhões de consultas a informações sigilosas. Entre as irregularidades listadas estão auditoria inadequada dos acessos, consultas indevidas e cláusulas restritivas nos termos de uso que dificultavam a transparência sobre o funcionamento da plataforma.
Reformulação em curso
Diante das falhas, o governo federal decidiu reformular o sistema, com nova versão prevista a partir de maio de 2026. A reforma é conduzida sob o ministro da Justiça e Segurança Pública Wellington César Lima e Silva, empossado em 15 de janeiro, com o objetivo declarado de corrigir falhas estruturais e reforçar os mecanismos de segurança e controle de acesso.
O caso expõe o dilema clássico dos grandes sistemas de leitura de placas: quanto mais integrados e rápidos, mais úteis para investigações — e mais graves as consequências quando o controle de acesso falha.