
Criador do Arduboy lança vela digital de US$ 149 com chama por IA
Kevin Bates, engenheiro por trás do Arduboy, criou a Digital Candle: um objeto com 144 LEDs e um modelo de IA treinado em vídeo real de chama para gerar um tremular que nunca se repete.
Por Bruno Vilela · Repórter de Gadgets
Uma vela que "aprendeu" a tremular
Kevin Bates, criador do Arduboy, um console portátil do tamanho de um cartão de crédito que populariza jogos caseiros em hardware minúsculo, resolveu aplicar o mesmo espírito maker a um objeto bem mais analógico: a vela. O resultado é a Digital Candle, um cilindro de 25 centímetros de altura com 144 LEDs âmbar organizados em grade, vendido a US$ 149.
A diferença em relação às velas eletrônicas de pilha que já conhecemos — com uma luzinha piscando em padrão repetitivo — está no cérebro do aparelho. Dentro do corpo da vela roda um chip Espressif ESP32-S3 processando um modelo de IA customizado, treinado a partir de filmagens reais de chamas tremulando. Na prática, a animação é gerada ao vivo, pixel a pixel, e nunca se repete.
Do Tetris flexível à chama generativa
Bates não é estranho a projetos que misturam eletrônica miniaturizada com objetos do dia a dia. Antes da vela, ele colocou Tetris jogável na capa de uma revista: uma placa flexível com 180 LEDs RGB e sensores de toque, laminada entre camadas de papel, em parceria com a Red Bull Media House.
A Digital Candle segue essa lógica de levar processamento sofisticado para dentro de um objeto cotidiano. O aparelho é alimentado por USB-C e, por ser open source, pode ser reprogramado pelo usuário para funcionar como relógio ou painel de notificações.
Vale o preço?
US$ 149 é caro para uma "vela" — isso é fato, e qualquer comparação com os modelos elétricos de supermercado perde de longe. Mas o produto de Bates não compete nessa categoria: é mais próximo de um objeto de design interativo. Para quem gosta de hardware bonito e open source, o valor se justifica pela originalidade.
O porém de peso: não há venda oficial no Brasil, e o preço não inclui impostos de importação nem frete internacional — o custo final para quem mora aqui tende a subir bastante. Por ora, é mais curiosidade de nicho maker do que compra prática.