tech & talk
Games06 de out. de 2026, 21:26

Criador do PlayStation diz que jogos estagnaram, mas vê virada à frente

Ken Kutaragi afirmou em painel no Japão que a indústria de games evoluiu graficamente, mas estagnou em conteúdo desde o PlayStation original. Para ele, o setor está perto de um ponto de virada.

Por Théo Ramos · Repórter de Games

Compartilhar

O alerta do pai do PlayStation

Ken Kutaragi, o engenheiro conhecido como "pai do PlayStation", voltou a dar as caras em público e não poupou críticas ao estado atual dos games. Em painel na abertura do CEREC — um novo hub acadêmico de pesquisa e educação voltado a jogos eletrônicos, sediado na Universidade de Eletrocomunicações do Japão, em 29 de setembro —, Kutaragi disse que a indústria está estagnada criativamente.

A frase que resume o recado veio direto: "No momento que você perde a sua curiosidade e pensa 'esse é o melhor que a gente consegue', já acabou." Para quem ajudou a criar um console que mudou a forma como o mundo jogava nos anos 1990, é um diagnóstico duro — e que qualquer jogador cansado de remake, sequência e fórmula repetida vai reconhecer na hora.

Foto: reprodução/automaton-media.com

Gráficos subiram, conteúdo não acompanhou

Segundo Kutaragi, os jogos evoluíram muito em escala e em visual desde o PlayStation original, mas o conteúdo — a essência da experiência, as ideias por trás dos jogos — não acompanhou esse salto. É basicamente o que boa parte da comunidade já vinha reclamando há anos: gráficos cada vez mais bonitos, mas design e criatividade travados em fórmulas seguras, enquanto o preço dos lançamentos só sobe.

Não é uma crítica gratuita de quem está de fora. Kutaragi foi a cabeça por trás do projeto que tornou o PlayStation um fenômeno global, e falou sobre a visão original da equipe de "mudar o mundo" com o console. É esse contraste — da ambição de reinventar o entretenimento para a repetição atual — que dá peso ao comentário.

Nem tudo é pessimismo

Apesar da crítica, Kutaragi não vê a indústria como madura ou esgotada. Pelo contrário: ele acredita que o setor está próximo de um ponto de virada, prestes a avançar para um "próximo estágio". Ou seja, a estagnação seria mais uma fase do que um destino final — mas só se estúdios e publishers resgatarem a disposição de arriscar.

Para quem joga e sente o peso dos US$ 70 (ou mais) em cada lançamento anual que se parece com o anterior, a fala de Kutaragi funciona como validação: o problema não é implicância do consumidor, é a própria indústria perdendo o apetite por experimentar. Resta saber se grandes estúdios vão ouvir o conselho do homem que ajudou a criar o mercado que hoje ele mesmo questiona.

playstationken kutaragiindústria de jogosinovaçãosony
Compartilhar