
Criadores do emulador de PS3 chamam DLSS 5 vazado de 'lixo de IA'
A equipe do RPCS3, emulador de PS3 mantido por voluntários, testou uma versão vazada do DLSS 5 da NVIDIA e detonou o resultado publicamente, acusando a indústria de usar IA para disfarçar jogos mal otimizados.
Por Théo Ramos · Repórter de Games
"Vimos o lixo que ele gera", diz equipe do RPCS3
O RPCS3, emulador de PS3 de código aberto mantido por voluntários e capaz de rodar cerca de 77% da biblioteca do console, entrou numa briga pública com a NVIDIA. Depois que modders testaram uma DLL vazada do DLSS 5 — tecnologia de upscaling por IA que ainda nem havia sido lançada oficialmente — dentro do renderizador do emulador, a conta oficial do projeto no X publicou uma crítica direta: "Algumas pessoas estão testando uma DLL vazada do DLSS 5 em nosso renderer. Nós vimos o lixo que ele gera."
O time foi além e mirou a indústria como um todo, dizendo que os estúdios empurram "mais upscalers e geração de quadros para alucinar jogos e esconder a falta de otimização" — e afirmou que o RPCS3 não vai embarcar nada desse tipo.
Foto: reprodução/tomshardware.com
Por que o emulador não usa upscalers modernos
A justificativa técnica dada pela equipe é específica do universo de PS3: jogos daquela era não fornecem motion vectors, informação que upscalers temporais modernos (como o próprio DLSS) precisam para reconstruir imagem com qualidade. Sem esse dado, e com a emulação de baixo nível do chip gráfico RSX do PS3 dificultando ainda mais reconstruir essa informação artificialmente, o RPCS3 optou por manter o FSR 1, um upscaler espacial baseado no algoritmo Lanczos que não depende de motion vectors.
Em outras palavras: não é birra gratuita. É uma limitação técnica real de rodar jogos de quase 20 anos atrás com uma tecnologia pensada para jogos atuais.
Comunidade dividida
Nem todo mundo comprou o discurso do RPCS3. Uma parte dos usuários chamou a resposta do projeto de exagerada, argumentando que DLSS e geração de quadros por FSR podem complementar otimizações do próprio motor gráfico em vez de simplesmente mascarar desempenho ruim, e que tecnologias como o NVIDIA Reflex ajudam a reduzir a latência extra causada pela geração de quadros.
Para quem joga clássicos de PS3 emulados no PC, a treta importa menos pela rixa e mais pelo recado de fundo: cada vez mais jogos (e agora até emuladores) estão sendo pressionados a adotar IA generativa para compensar otimização fraca — e o RPCS3 decidiu bater de frente com isso, pelo menos por enquanto.
Atualização (04/09, 03:52): Diferente da versão vazada, a Nvidia lançou oficialmente o DLSS 5, que estreou em NBA 2K27 no dia 3 de setembro para placas GeForce RTX 50 (desktop e notebook) e para o serviço GeForce NOW. A empresa confirmou que o suporte também vai chegar às placas RTX 40, mas ainda sem data definida — o foco atual é otimizar o desempenho na própria linha RTX 50, com atualizações de modelo previstas para o restante do outono.
Apesar de estender o recurso a GPUs mais antigas, a Nvidia está limitando o controle que os jogadores terão sobre a tecnologia: na implementação padrão para RTX 40, a opção disponível será basicamente ativar ou desativar o DLSS 5, sem os ajustes finos que a versão vazada sugeria. Donos de placas RTX 20 e 30 não devem esperar suporte tão cedo — questionada pelo The Verge, a Nvidia disse que está avançando "um passo de cada vez" e mantendo o foco na série RTX 50.