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Ciência01 de nov. de 2026, 22:02

Crise de lançamento espacial é mais grave do que se previa, diz estudo

Levantamento da consultoria Quilty Space aponta déficit de cerca de 150 lançamentos entre 2026 e 2030 fora da China, e a desaceleração do Falcon 9 soma-se a uma Starship que ainda está longe da cadência prometida.

Por Letícia Prado · Repórter de Ciência

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Pra escala humana: imagine 150 voos de avião cancelados de uma vez só, sem outra companhia aérea para cobrir a demanda. É mais ou menos esse buraco que analistas estão prevendo para o setor espacial.

Um novo levantamento da Quilty Space, consultoria especializada em análise do setor espacial, confirmado nesta semana, apurou que o mundo — exceto a China — caminha para uma escassez de cerca de 150 lançamentos de foguetes entre 2026 e 2030 em relação à demanda projetada. Segundo Caleb Henry, diretor de pesquisa da Quilty Space, o objetivo do estudo era entender "a gravidade desta crise de lançamento e quando ela vai ser resolvida" — e a resposta, segundo a consultoria, é que o problema é mais severo do que se imaginava e não deve desaparecer nesta década.

O que está confirmado

O estopim é a saída de cena do Falcon 9, foguete mais lançado do mundo nos últimos anos. A SpaceX já parou de aceitar reservas de rideshare comercial para depois de 2028 e, segundo reportagem da Bloomberg, também vem rejeitando pedidos de lançamentos dedicados do Falcon 9 para o mesmo período. Em setembro, o administrador da NASA, Jared Isaacman, confirmou a intenção da SpaceX de "encerrar" as operações do Falcon 9 e da cápsula Dragon. A estimativa é de 140 a 145 lançamentos do Falcon em 2026, abaixo dos 165 registrados em 2025 — primeira queda na cadência da empresa em anos.

A aposta da SpaceX é que a Starship, o foguete reutilizável de nova geração em testes na empresa, assuma o espaço deixado pelo Falcon 9 voando várias vezes por semana, segundo declarações de Elon Musk em agosto. Só que o cronograma real está longe disso: a Starship voou apenas três vezes em 2026 até o momento, com intervalos de cerca de dois meses entre lançamentos, e a SpaceX chegou a pausar por mais de seis semanas os testes na Flórida.

O que é hipótese ou projeção

Analistas ouvidos pelo setor, como Mike Collett, da gestora de capital de risco Promus Ventures, e Ron Epstein, do banco de investimento Bank of America Securities, apostam que os custos de lançamento devem subir nos próximos 12 meses — revertendo uma década de queda de preços. Se a demanda militar dos Estados Unidos for incluída na conta, a Quilty Space projeta que o déficit de lançamentos pode dobrar. Para tentar amenizar o gargalo, o Pentágono anunciou em outubro uma garantia de empréstimo de US$ 150 milhões à Stoke Space, fabricante de foguetes concorrente, para construir uma segunda plataforma de lançamento na Flórida. Resta saber se novos entrantes como Stoke Space e Rocket Lab, fabricante neozelandesa de foguetes e satélites, vão crescer rápido o suficiente para evitar o apagão.

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