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MercadoGadgets08 de set. de 2026, 10:27

Crise de memória RAM deve encarecer o próximo iPhone

A escassez global de chips de memória, que já elevou preços de Mac e iPad, deve chegar ao iPhone com o lançamento da próxima geração, segundo analistas do setor.

Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado

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O aviso que Tim Cook já deu

A Apple já confirmou que aumentos de preço estão a caminho por causa da escassez de memória RAM — e o CEO Tim Cook chamou o movimento de "inevitável". Até agosto, a fabricante tinha conseguido segurar o preço do iPhone repassando o custo para outros produtos: Mac, iPad, HomePod, Apple TV e alguns serviços já subiram de preço em 2026. Mas a Reuters apurou que a linha de iPhone pode não escapar por muito mais tempo, com um reajuste possível já no lançamento da próxima geração.

Por que faltou memória pro mundo inteiro

Foto: reprodução/9to5mac.com

O gargalo nasce na disputa entre dois mercados que competem pela mesma fábrica. Micron e SK Hynix — ao lado da Samsung, as três maiores fabricantes de chips de memória do mundo — são responsáveis por praticamente toda a produção global. O problema é que cada unidade de memória de alta performance (HBM) destinada a data centers de inteligência artificial consome a capacidade que produziria três unidades de memória comum, do tipo usada em celular e notebook. Em fevereiro, a Micron encerrou sua marca de varejo Crucial para concentrar a produção em clientes corporativos de IA — um sinal claro de para onde o dinheiro está indo.

O que isso muda pro consumidor

O efeito prático já apareceu nas especificações: a expectativa é que os modelos Pro de 2026 mantenham 12 GB de RAM em vez de subir para 16 GB, como seria o caminho natural em um ano normal. Ou seja, o consumidor pode pagar mais caro por um aparelho que não ganhou memória extra — só ficou mais escasso de produzir. Para o mercado brasileiro, que já paga o iPhone com um dos maiores ágios do mundo por causa de impostos e câmbio, a soma de escassez global com custo de importação é motivo de atenção redobrada nos próximos meses. Falta saber se a Apple vai repassar o aumento de uma vez, no lançamento de quarta-feira (9), ou aos poucos, como fez com os outros produtos da linha.


Atualização (07/09, 15:56): Atualização: o problema é mais amplo do que apenas a RAM e tem prazo para durar. Segundo o Olhar Digital, a memória DRAM usada em smartphones — item que consome até três vezes mais wafers quando é do tipo HBM, voltado a data centers de IA — subiu de cerca de US$ 42 para US$ 181 entre o segundo trimestre de 2025 e o mesmo período de 2026, alta de mais de 300%, com salto trimestral de 56% no início de 2026 e de 83% no trimestre seguinte. A raiz do problema é a corrida por chips de IA: fabricantes como Samsung, SK Hynix e Micron, que respondem por cerca de 90% do mercado de memória, estão priorizando a produção de HBM para data centers em detrimento da DRAM convencional usada em celulares, e chegaram a reajustar em até 100% os preços cobrados de clientes como a Apple.

A expectativa é que a crise não seja passageira. Levantamentos da Counterpoint Research indicam que a oferta global de DRAM deve atender a apenas cerca de 60% da demanda até o fim de 2027, e que o equilíbrio entre oferta e demanda só deve ocorrer no fim de 2027 ou início de 2028 — a IDC também projeta escassez se estendendo até 2028, já que novas fábricas de memória só devem elevar a produção de forma relevante entre 2027 e 2030. O CEO da Apple, Tim Cook, chegou a classificar o cenário de custos como "uma enchente que ocorre a cada 100 anos", enquanto a própria Apple caminha para consumir 2,4 exabytes de memória LPDDR5 somente em 2026, mesmo em meio à escassez.

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