
Crise do iPhone Duo: fornecedora de dobradiça nega defeito e ameaça processar
A FineMTEC, fabricante sul-coreana de componentes para dobráveis, nega que suas peças causem as rachaduras na tela do iPhone Duo e diz que pode tomar medidas legais contra quem espalhar acusações sem comprovação.
Por Bruno Vilela · Repórter de Gadgets
A primeira tela dobrável da Apple está no centro de uma briga pública sobre quem é o culpado por rachaduras relatadas logo nos primeiros dias de uso. A FineMTEC, fabricante sul-coreana de componentes que fornece as placas metálicas de suporte usadas na dobradiça de celulares flexíveis, negou ter qualquer responsabilidade pelos defeitos no iPhone Duo e afirmou que pode tomar "medidas civis e criminais contra a disseminação de informações falsas" sobre seus produtos.
O que a FineMTEC diz
Em comunicado, a empresa declarou que "os problemas de qualidade recentemente relatados em determinados produtos não foram causados por defeitos em componentes fornecidos por nossa empresa" e defendeu que uma investigação técnica formal é necessária antes de apontar qualquer peça como culpada. A resposta vem depois que as ações da FineMTEC caíram mais de 15% na bolsa, pressionadas pela especulação de que suas peças estariam por trás do problema.
O que a Apple confirmou
A Apple já reconheceu falhas afetando "um pequeno número" de unidades do iPhone Duo e prometeu substituir gratuitamente os aparelhos com defeito. Os relatos começaram dias após o lançamento, em 23 de outubro: rachaduras e pixels mortos aparecendo bem na linha da dobra, exatamente onde a tela interna de 7,6 polegadas é mais exigida mecanicamente a cada abertura e fechamento.
Por que isso importa pra quem usa
Num dobrável, a dobradiça não é só um detalhe de engenharia escondido — é a peça que decide se o aparelho sobrevive ao uso diário. Diferente de um iPhone convencional, aqui cada abertura é um ciclo de estresse sobre a tela, e é exatamente isso que está sendo questionado: se a geometria da dobradiça do iPhone Duo empurra a tensão pro lugar errado da tela flexível, o problema não é cosmético, é estrutural. É o tipo de falha que transforma o diferencial do produto — dobrar — na sua maior vulnerabilidade.
Vale o preço no Brasil?
O iPhone Duo chega ao país custando a partir de R$ 21.999, com reparo da tela interna estimado em até R$ 10.989 fora da garantia. Nesse patamar de preço, o comprador brasileiro não está pagando só pela novidade de um dobrável da Apple, está apostando que o mecanismo vai durar. Enquanto FineMTEC e Apple trocam acusações indiretas sobre quem errou no projeto, quem já comprou — ou pensa em comprar — fica sem uma resposta definitiva sobre a causa real da rachadura. Até que uma investigação técnica independente confirme o que está por trás do problema, o conselho é simples: quem depende do aparelho no dia a dia talvez prefira esperar a poeira baixar antes de desembolsar esse valor.