
Crusoe cancela acordo de US$ 1,25 bi por turbinas da Boom Supersonic
CEO da Boom Supersonic, fabricante de aviões supersônicos que passou a vender turbinas estacionárias, confirmou que os planos com a startup de data centers de IA não seguem mais adiante no curto prazo.
Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado
US$ 1,25 bilhão que saíram do papel
A Crusoe, startup de data centers de IA sediada em Denver e fornecedora de infraestrutura para clientes como OpenAI, Oracle e Microsoft, abandonou um contrato de US$ 1,25 bilhão para comprar 29 turbinas a gás natural da Boom Supersonic, fabricante americana do jato supersônico Overture que passou a vender também usinas estacionárias. O CEO da Boom, Blake Scholl, confirmou que as turbinas "não fazem mais parte do mix de energia primário de curto prazo da Crusoe".
Da aviação supersônica para o data center
O acordo original previa 29 turbinas Superpower, de 42 megawatts cada, somando cerca de 1,21 gigawatt de capacidade — o suficiente para abastecer uma fração relevante dos data centers da Crusoe. A Superpower é uma versão estacionária do motor Symphony, desenvolvido pela Boom para o Overture, compartilhando cerca de 80% das peças entre as duas versões. A ideia era entregar as primeiras turbinas em 2027, escalando para 250 megawatts naquele ano e 1 gigawatt em 2028. Para viabilizar a fabricação, a Boom havia levantado US$ 300 milhões em uma rodada liderada pela gestora Darsana Capital Partners, em dezembro de 2025, justamente tendo a Crusoe como cliente-lançadora do produto.
Quem perde e quem ganha
A Boom sai como a parte mais exposta: apostou recursos e reputação em um negócio paralelo de energia para diversificar receita enquanto o Overture segue em desenvolvimento, e perde seu principal cliente-âncora nesse pivô. A empresa afirmou que seguirá comercializando as turbinas para outros interessados no mercado de energia para IA, hoje aquecido pela corrida de gigantes como OpenAI por capacidade computacional. Já a Crusoe, que levantou recentemente US$ 3,9 bilhões em capital e opera o megacampus de Abilene, no Texas — com 1,2 gigawatt de capacidade planejada e uso por Oracle e OpenAI no projeto Stargate —, sinaliza que está revendo sua estratégia de fornecimento de energia, sem detalhar publicamente o motivo da desistência. Em nota, a companhia disse apenas que segue "construindo fábricas de IA a partir da energia" e abrindo novos campi com fontes energéticas inovadoras pelo país. O episódio expõe um ponto sensível do boom de data centers de IA: contratos bilionários de energia, fechados sob pressão por capacidade, nem sempre sobrevivem ao ritmo de mudança das prioridades dos hyperscalers.