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E-sports26 de set. de 2026, 16:39

CS está saturado? Audiência bate recorde, mas calendário pesa para jogadores

Com o fim do sistema de vagas fixas de BLAST e ESL, o número de torneios Tier S de CS2 disparou em 2025 e a audiência global cresceu, mas jogadores como YEKINDAR e Aleksib reclamam do calendário maratona.

Por Larissa Kimura · Repórter de e-sports

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Recorde de audiência escancara o novo momento do CS2

O Counter-Strike fechou 2025 com 584 milhões de horas assistidas globalmente, segundo dados da Esports Charts, um salto de 53% em relação a 2023 e de quase 35% na comparação com 2024. O crescimento coincide com a volta de um circuito aberto de competições, mas a mesma mudança que impulsionou a audiência também aumentou a carga de viagens e jogos para os profissionais, que já reclamam publicamente do ritmo.

Do fechamento das "franquias" à reabertura do circuito

Para quem está chegando agora ao assunto: entre 2023 e 2024, BLAST e ESL Gaming — as duas maiores organizadoras de torneios de CS, responsáveis por eventos como IEM e BLAST Premier — mantinham um sistema de parceria comercial que garantia vagas fixas a clubes específicos, fechando as portas para equipes menores e gerando confrontos repetitivos entre os mesmos times. Em 2025, esse modelo caiu e o circuito voltou a ser aberto, com mais organizadoras promovendo LANs em diferentes países. O resultado, segundo levantamento da Dust2, foi um salto para 23 eventos Tier S no ano — o maior número da história, superando inclusive a era pré-pandemia de 2018 e 2019, quando o circuito também era aberto e somava 19 a 20 eventos anuais.

O torcedor ganha mais jogo, o jogador paga a conta

Se por um lado o fã de CS tem mais partidas de alto nível para acompanhar ao longo do ano — em transmissões espalhadas entre diferentes organizadoras, e não mais concentradas em poucos eventos de parceiros fixos —, o lado competitivo sente o desgaste. O letão Mareks "YEKINDAR" Gaļinskis, hoje na FURIA, resumiu o sentimento: "Sinto que isso está ficando insustentável há bastante tempo em termos de competição (...) em determinado momento, os torneios que disputamos perdem valor aos seus olhos, porque você joga um torneio a cada duas semanas e fica indo de torneio em torneio em torneio". Aleksi "Aleksib" Virolainen, da Vitality, equipe multiesportiva francesa que hoje comanda o time nº 1 do mundo em CS2, pondera que a rotina de viagens somada a treinos e bootcamps "acaba ficando um pouco demais em alguns momentos", mas reconhece que "não acho que algum dia haverá um mundo perfeito e sempre haverá argumentos para os dois lados".

O que vem pela frente

A expectativa é que 2026 mantenha o circuito aberto com mais de 20 eventos Tier S disputados por organizadoras como ESL, BLAST, PGL, DreamHack e StarLadder, incluindo os Majors patrocinados pela Valve. Para o torcedor, isso significa CS de alto nível quase o ano inteiro, disponível em múltiplas plataformas de transmissão. Para os jogadores, o debate sobre limitar a quantidade de torneios sem voltar ao modelo fechado de vagas garantidas segue em aberto — e deve pautar as próximas negociações entre organizações e equipes ao longo da temporada.

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