
D'Addario admite uso de IA em vídeo após quase duas semanas de negativas
A fabricante de cordas e instrumentos D'Addario confirmou que usou a ferramenta de IA Suno em um vídeo promocional, revertendo negativas anteriores em que chegou a culpar softwares de mixagem pelo som suspeito.
Por Elias Brandão · Analista de IA e ética
Da negativa categórica à admissão
Imagine alguém que, acusado de algo, primeiro nega tudo, depois muda a versão, depois muda de novo — até finalmente admitir que a acusação estava certa desde o início. Foi essa a novela protagonizada pela D'Addario, fabricante de cordas de guitarra, em torno de um vídeo promocional das cordas NYXL HD.
A trilha de explicações
Foto: reprodução/musicradar.com
Tudo começou quando a comunidade de guitarristas no YouTube notou que a trilha sonora do vídeo soava artificial demais, com características típicas de música gerada por IA. A D'Addario negou publicamente e, como prova, chegou a divulgar a sessão do Logic Pro usada na gravação. Só que essa "prova" foi dissecada por criadores de conteúdo, que apontaram inconsistências. A empresa então mudou de explicação: disse que ferramentas de mixagem e masterização por IA, como o LANDR e o próprio Logic, teriam sido usadas sem o conhecimento da equipe.
A admissão, enfim
Quase duas semanas depois do início da polêmica, em comunicado no Instagram publicado em 10 de agosto, a D'Addario mudou de postura. A empresa confirmou que uma revisão interna completa apontou o uso do Suno Studio para regenerar a faixa original do vídeo. Em nota, admitiu: "Erramos aqui. Não apoiamos música gerada por IA, e nosso processo vai refletir isso daqui para frente."
O outro capítulo: os comentários apagados
A controvérsia teve um segundo front. Enquanto negava o uso de IA, a D'Addario também apagava comentários e bloqueava usuários que insistiam na acusação — o que muita gente leu como tentativa de abafar a crítica. A empresa alegou, na época, que a moderação servia para proteger o guitarrista que aparece no vídeo de assédio. No comunicado final, reconheceu o erro também nesse ponto: "Também erramos na moderação dos comentários. Críticas honestas não deveriam ser apagadas. Estamos mudando como moderamos nossos canais para que o feedback possa ser ouvido, enquanto as pessoas são protegidas de ameaças, assédio e exposição de informações privadas."
O que fica em aberto
A D'Addario afirma ter sido "alimentada com informação falsa" sobre a origem da faixa antes de compartilhá-la — ou seja, sugere que alguém internamente ou um fornecedor terceirizado a induziu a erro. Não ficou claro publicamente quem, dentro do processo de produção do vídeo, de fato usou o Suno Studio, nem por que a empresa ofereceu duas versões alternativas e incorretas antes de chegar à explicação real.