
D-Wave testa emaranhamento em qubits dual-rail rumo à computação tolerante a falhas
Conhecida pelos computadores de recozimento quântico, a D-Wave publicou na Nature resultados de emaranhamento em qubits dual-rail com cerca de 99,9% de fidelidade, avançando também para hardware baseado em portas lógicas.
Por Redação tech & talk · Curadoria assistida por IA, revisão humana
Uma empresa de duas frentes
A D-Wave ficou conhecida por construir computadores quânticos de recozimento (annealers), máquinas especializadas em problemas de otimização. Agora a empresa avança também para a computação quântica baseada em portas lógicas (gate-based), o modelo mais geral e usado por concorrentes como Google e IBM. Em agosto de 2026, a companhia publicou na revista científica Nature o artigo "An entangling gate for dual-rail erasure qubits", detalhando testes de emaranhamento (entanglement) em sua arquitetura de qubits dual-rail.
O que é um qubit dual-rail
Em termos simples, um qubit dual-rail guarda a informação quântica não em um único componente supercondutor, mas no subespaço formado por dois ressonadores de micro-ondas — daí o nome "trilho duplo". Quando o qubit perde energia, o que normalmente corromperia o cálculo de forma silenciosa, o sistema consegue detectar essa falha como um erro de "apagamento" (erasure), sinalizado sem destruir a informação quântica que ainda resta. Isso cria uma hierarquia de erro favorável: os erros mais comuns são também os mais fáceis de identificar e corrigir.
Os números do experimento
A operação de emaranhamento entre dois qubits dual-rail atingiu cerca de 99,9% de fidelidade, com tempo de execução de aproximadamente 500 nanossegundos, segundo Trevor Lanting, executivo da D-Wave, em entrevista à Ars Technica. A perda de fóton — o tipo de erro mais comum nesse sistema — ocorre em cerca de 0,5% das operações de emaranhamento, sendo cerca de cinco vezes mais frequente que qualquer outro tipo de erro, mas justamente por isso mais previsível de corrigir. Simulações da empresa indicam que a arquitetura dual-rail pode reduzir a taxa de erro lógico em até 10 vezes a cada novo nível de correção de erro.
Caminho até a computação tolerante a falhas
A pesquisa é resultado direto da aquisição da Quantum Circuits Inc., negócio avaliado em cerca de US$ 550 milhões, que trouxe para a D-Wave o cientista Robert Schoelkopf, pioneiro do qubit do tipo transmon e hoje Chief Scientist da empresa. O roadmap da companhia prevê uma máquina com 17 qubits dual-rail ainda em 2026, uma versão com 49 qubits em 2027 e um sistema com 181 qubits dual-rail em 2028.
Dois caminhos, uma empresa
Enquanto avança no gate-model, a D-Wave segue operando seus sistemas de recozimento: a companhia registrou alta de 314% no uso de seus sistemas Advantage2 e de 114% no uso do solucionador híbrido Stride no último ano. A estratégia declarada é manter as duas plataformas em paralelo — annealing para resolver problemas de otimização hoje, e gate-model como aposta de longo prazo para a computação quântica universal tolerante a falhas.