
Dacia tira tela do carro para vender elétrico a partir de €17.900
A Dacia lançou o Spring como o elétrico mais barato da Europa ao remover a central multimídia de fábrica e transformar o smartphone do motorista na tela do carro.
Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado
€17.900 é o número que redefine o carro elétrico de entrada na Europa
Esse é o preço inicial do novo Dacia Spring, elétrico que a marca romena do grupo Renault, conhecida por vender carros baratos e simples no continente europeu, posiciona como o mais acessível do mercado europeu. Para chegar a esse valor, a Dacia fez uma aposta pouco convencional: tirou a central multimídia de fábrica da versão de entrada e colocou o ônus da tela no bolso do próprio cliente.
O truque é velho conhecido — só que ao contrário
Na versão básica, o Spring vem sem tela touchscreen própria. No lugar, a Dacia aposta no sistema Media Control, que transforma o smartphone do motorista, preso a um suporte no painel, na interface multimídia do carro, com comandos físicos no volante para navegação, música, rádio e chamadas. É o oposto do movimento que fabricantes fazem há uma década, de empurrar telas cada vez maiores como diferencial de venda. Quem quiser a central de 10,1 polegadas com CarPlay e Android Auto sem fio precisa subir para a versão Journey, a partir de €19.400.
A lógica não é inédita fora da Europa: no Brasil, Fiat Mobi e Ford Ka já dispensaram o componente físico em versões de entrada para baratear o carro sem cortar a conectividade — a diferença é que a Dacia aplica a tática a um elétrico, categoria historicamente mais cara.
Quem ganha e quem perde
Quem ganha é o consumidor europeu que quer um elétrico de primeira compra sem pagar pelo prêmio tecnológico: o Spring mantém ar-condicionado, freio de estacionamento eletrônico, vidros elétricos dianteiros e um painel digital configurável de 7 polegadas mesmo na versão mais barata. A bateria LFP de 27,5 kWh entrega até 250 km no ciclo WLTP e recarrega a 50 kW em 28 minutos — números competitivos para o segmento de entrada.
Quem perde terreno são as marcas que apostam em telas grandes como argumento de venda e cobram por isso. Se o modelo funcionar comercialmente, a pressão por elétricos mais baratos tende a se espalhar para outros fabricantes generalistas na Europa. O Spring é produzido em Novo Mesto, na Eslovênia, e usa a plataforma RGEV Small, compartilhada com o Renault Twingo — sinal de que a economia de escala do grupo Renault é peça central da equação de preço.