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IA13 de out. de 2026, 01:19

Dados do Pisa mostram fosso cognitivo entre jovens que usam IA no Brasil

Quase metade dos estudantes brasileiros de 15 anos usa chatbots de IA para estudar, mas o uso cai para 16% entre os mais pobres — e especialistas discutem se isso aprofunda ou reduz desigualdades.

Por Elias Brandão · Analista de IA e ética

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Dois jeitos de usar a mesma ferramenta

Pense em uma calculadora: ela tanto pode substituir o raciocínio de quem nunca aprendeu a somar quanto liberar tempo de quem já sabe fazer conta para pensar em problemas mais difíceis. É essa a distinção que uma coluna publicada no Olhar Digital usa para argumentar que a desigualdade mais relevante na era da inteligência artificial não é quem tem acesso à ferramenta — isso já está bastante resolvido —, mas quem sabe formular a pergunta certa para ela. Em bom português: a diferença entre pensar com a IA e deixar a IA pensar no seu lugar.

O que os números do Pisa mostram

Dados do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa) indicam que 48% dos estudantes brasileiros de 15 anos já usam chatbots de IA generativa ao menos uma vez por semana para estudar: 40% para pesquisa inicial sobre um assunto novo, 31% para resumir textos e 27% para montar esboços de trabalhos escolares. O uso, porém, é bem mais raro entre estudantes de renda mais baixa: nas classes D e E, apenas 16% recorrem a esse tipo de ferramenta, e 65% dos que têm só o ensino fundamental completo apontam falta de habilidade — não falta de acesso — como o motivo de não usar.

Os dois lados da moeda

Há quem veja nesse uso desigual um risco: alunos com desempenho mais baixo são, segundo o Pisa, usuários intensos de tecnologia, uma combinação que o estudo considera especialmente prejudicial. Mas há quem aposte que a familiaridade de quem cresceu com IA à mão compensa no longo prazo — uma pesquisa do instituto Ipsos-Ipec mostra que a Geração Z sente menos medo de ser substituída por algoritmos do que gerações mais velhas, justamente por já ter incorporado a ferramenta ao raciocínio, não ao contrário.

O experimento que ilustra o problema

A coluna cita o caso de um professor que escondeu a palavra "Madagascar" num texto sobre Revolução Industrial: 32 dos 35 alunos entregaram respostas geradas por IA contendo o termo, sinal de que ninguém leu o que a ferramenta produziu antes de assinar embaixo. Fica a pergunta que a própria coluna deixa em aberto: formar espírito crítico para usar IA bem é tarefa da escola, da família ou da própria tecnologia — e o Brasil ainda não decidiu quem paga essa conta.

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