
DARPA poderá testar computador quântico da Microsoft sem depender da empresa
Novo centro de pesquisa em Maryland dará à agência de defesa dos EUA acesso físico ao chip Majorana 2 para rodar testes independentes, sem depender de demonstrações feitas pela própria Microsoft.
Por Letícia Prado · Repórter de Ciência
Pra escala humana: uma agência de defesa vai colocar a mão numa máquina que a Microsoft passou anos tentando provar que funciona
A Microsoft abriu um novo centro de pesquisa em Maryland, dentro do Discovery District da Universidade de Maryland, que vai dar à DARPA — a agência de pesquisa avançada de defesa dos EUA, responsável por financiar tecnologias experimentais para as Forças Armadas — acesso físico ao seu computador quântico mais recente. O espaço tem cerca de 1.400 metros quadrados (15 mil pés quadrados) e reúne laboratório próprio da Microsoft, salas para parceiros, uma área de testes dedicada à DARPA e um laboratório de treinamento.
O que está confirmado
Foto: reprodução/quantumcomputingreport.com
Segundo reportagem da Reuters replicada pelo Olhar Digital e detalhada pelo site especializado The Quantum Insider, a novidade central é o tipo de acesso: a DARPA poderá testar o sistema no local, com hardware próprio, sem depender de demonstrações conduzidas pela própria Microsoft. É essa independência que muda o jogo — até aqui, avaliações de desempenho de computadores quânticos costumam vir do próprio fabricante.
O equipamento em jogo é o Majorana 2, segunda geração do chip quântico topológico da empresa, que troca alumínio por chumbo na pilha de materiais — mudança que a Microsoft diz melhorar o desempenho dos qubits. A aposta da empresa nesse tipo de qubit é reduzir a necessidade de correção de erros, um dos maiores gargalos da computação quântica atual.
A parceria integra o programa "Underexplored Systems for Utility-Scale Quantum Computing" (US2QC), parte da Quantum Benchmarking Initiative da DARPA. De acordo com a própria agência e o Quantum Computing Report, Microsoft e a PsiQuantum — outra empresa do setor — foram selecionadas para a etapa final de validação e co-design do programa, cujo objetivo é descobrir se alguma abordagem quântica consegue produzir máquinas comercialmente úteis até 2033.
O que é hipótese
Ainda não há como afirmar se o Majorana 2 vai passar no teste independente da DARPA. O próprio chip enfrentou ceticismo de parte da comunidade científica desde o lançamento da primeira versão, em 2025 — daí o peso simbólico de abrir a máquina para verificação externa. Também não há confirmação pública de quando os testes começam nem de resultados preliminares. Nenhuma das fontes consultadas traz declarações diretas de executivos da Microsoft ou da DARPA sobre o acordo; as informações vêm de comunicados e da cobertura da Reuters.
A Microsoft mantém a meta de lançar sistemas quânticos comerciais até 2029, mas esse prazo é projeção da própria empresa, não um marco validado pela DARPA.