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MercadoIA08 de set. de 2026, 10:27

Data center da Meta na Louisiana expõe quem banca os US$ 3,2 bi

Reguladores da Louisiana aprovaram US$ 3,2 bilhões em usinas a gás para o data center de IA da Meta, mas o contrato levanta dúvida sobre quem paga a conta se a empresa desistir.

Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado

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Os US$ 3,2 bilhões por trás do data center

A Comissão de Serviço Público da Louisiana aprovou, por 4 votos a 1, um investimento de US$ 3,2 bilhões da Entergy Louisiana, distribuidora de energia que atende boa parte do estado americano, para construir três usinas a gás de 754 megawatts cada — 2.262 MW no total — além de uma nova linha de transmissão. O pacote existe para alimentar um único cliente: o data center de inteligência artificial que a Meta, dona do Facebook e do Instagram, está erguendo no condado de Richland Parish.

Quem paga se o contrato quebrar

A Meta assumiu o compromisso de pagar 100% do custo das três turbinas em um contrato de fornecimento de energia com 15 anos de duração. O detalhe que preocupa reguladores e organizações como a Earthjustice, entidade americana que atua em disputas ambientais e regulatórias, é o que acontece se a empresa não renovar o contrato ou sair antes do prazo: como as usinas foram construídas sob medida para o data center, os moradores da Louisiana — que já pagam a conta de luz da Entergy — correm o risco de herdar o custo de uma infraestrutura que não usam. O único voto contrário na aprovação, do comissário Davante Lewis, resumiu a preocupação: o acordo protege a empresa, não o consumidor.

Um problema que se repete pelo país

O caso da Louisiana não é isolado. A corrida por data centers de IA nos Estados Unidos tem espalhado estruturas financeiras cada vez mais complexas — parte do gasto sequer aparece no balanço das big techs, movido por empresas de propósito específico criadas só para financiar essas obras. Levantamentos independentes já identificaram mais de US$ 120 bilhões em gastos com data centers tirados do balanço principal das companhias em pouco mais de um ano. Com o setor projetando entre US$ 3 trilhões e US$ 4 trilhões em investimentos até 2030, a pergunta de quem assume o risco quando algo dá errado — a big tech, a distribuidora de energia ou o contribuinte local — deixou de ser hipotética. Falta saber se outros estados vão amarrar contratos parecidos ao de Richland Parish antes de aprovar a próxima usina.

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