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Smart CitiesMercado16 de set. de 2026, 15:17

Data centers de IA são impopulares nos EUA, e políticos já sentem o peso

Pesquisas mostram que a maioria dos eleitores americanos rejeita a construção de data centers de inteligência artificial perto de suas casas, citando medo de conta de luz mais cara, consumo de água e queda no valor dos imóveis.

Por Camila Furtado · Repórter de Smart Cities

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Quando o data center chega, quem paga a conta é o vizinho

Se você mora perto de um terreno vazio que virou canteiro de obras gigante nos últimos dois anos, as chances de ser um data center de inteligência artificial são cada vez maiores — e a chance de você estar irritado com isso também. Uma pesquisa da NBC News/Decision Desk mostrou que 69% dos americanos se opõem à construção de um data center de IA na própria região, contra apenas 31% que apoiam. A rejeição atravessa o espectro político: 81% dos eleitores democratas, 71% dos independentes e 57% dos republicanos dizem não querer a instalação por perto.

O dado ecoa uma pesquisa do New York Times em parceria com a Siena University — instituto de pesquisa de opinião pública americano que colabora regularmente com o jornal — feita com eleitores da Pensilvânia: 60% rejeitam o avanço dos data centers na região, com oposição de 83% entre jovens de 18 a 29 anos. Não é bairrismo isolado: é o tipo de número que faz prefeito, governador e até presidente repensarem o discurso.

Foto: reprodução/inquirer.com

O que pesa no bolso e na torneira

A queixa mais citada é previsível para quem acompanha o debate energético em qualquer canto do mundo: conta de luz. Uma pesquisa Reuters/Ipsos mostrou que 77% dos americanos temem que os data centers empurrem os preços da eletricidade para cima — o mesmo tipo de tensão que já se vê em cidades onde a expansão de data centers disputa espaço na rede elétrica com o consumo residencial. Some a isso a preocupação com o uso intensivo de água para refrigeração dos servidores e o temor de desvalorização de imóveis na vizinhança, e fica claro por que o assunto virou pauta de campanha nos EUA a poucas semanas das eleições de meio de mandato.

Políticos mudando de lado por pressão popular

O impacto eleitoral já apareceu em decisões concretas. No Texas, o governador Greg Abbott suspendeu cerca de 1.800 projetos de data center, alegando que as instalações não podem consumir água ou energia que as comunidades locais precisam. Na Pensilvânia, o governador Josh Shapiro recuou do apoio a um investimento de US$ 20 bilhões da Amazon depois de moradores reclamarem de pressão de incorporadoras. Em Ohio, o senador estadual Jon Husted propôs lei para obrigar operadoras de data center a cobrir os custos extras que geram na rede elétrica.

A pergunta que falta responder

O episódio americano expõe uma lacuna que também é nossa: quem, de fato, fiscaliza o impacto local — energético, hídrico e imobiliário — desses empreendimentos antes que eles saiam do papel? Enquanto a demanda por infraestrutura de IA dispara, a conta ambiental e financeira segue recaindo sobre quem vive ao lado do galpão de servidores, sem que o cidadão comum tenha assento claro na decisão.

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